Vizinhos acompanham reconstituição do duplo homicídio em prédio de luxo da capital mineira
Polícia Civil e suspeita do crime estão no apartamento

A tarde desta quarta-feira (8) na rua Severino, no bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte, ficou mais movimentada que o habitual após cinco viaturas da Polícia Civil (PC) estacionarem em frente a um prédio de luxo conduzindo uma mulher suspeita de assassinar brutalmente um casal de idosos que moravam no local para realizar a reconstituição do crime.
Um grupo de pessoas que acompanhava a cena, xingaram a suposta criminosa. Minutos após ela entrar no prédio de 15 andares, ao lado de investigadores da PC, elas deixaram o local.
A movimentação no edifício, inclusive, não foi limitada. Moradores puderam entrar e sair, sem qualquer restrição. O trânsito também não foi alterado na via, o que gerou curiosidade por parte de alguns motoristas - que diminuíram a velocidade e até mesmo pararam próximo do local para olhar a movimentação.
Moradora do prédio ao lado, a aposentada Elidete Araújo Simões, afirmou estar bastante abalada. “Estamos horrorizados, foi uma coisa muito brutal. Ela não tinha direito de fazer isso com eles. Até hoje dói muito, não tiro eles da cabeça” relatou a mulher.
Relembre o crime
Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira, de 76, foram mortos com mais de 40 facadas. As investigações indicam que o crime aconteceu na tarde do dia 29 de julho, uma segunda-feira. A suspeita do crime foi presa dois dias depois em um hotel em Itabira, na região Central.
A perícia da Polícia Civil constatou a presença de calmantes e sedativos nas amostras de sangue do casal de idosos. A investigação, que apura o crime de latrocínios, aponta que a suspeita, que trabalhava como diarista para o casal, diluiu os comprimidos em copos de suco servidos às vítimas antes de esfaqueá-las.
Segundo a perícia inicial, após ingerirem o suco, os idosos começaram a passar mal e a perder os sentidos, momento em que foram iniciados os ataques com uma faca da própria residência.
Os corpos foram encontrados na tarde de terça-feira (30). No local do crime, os peritos constataram o arrombamento de uma gaveta onde eram guardadas semijóias, e os celulares das vítimas foram roubados.
Imagens de câmeras de segurança flagraram a investigada entrando no prédio com uma vestimenta e saindo do local usando roupas de Maria Clotilde.
Quem eram as vítimas
Cláudio Atala e Maria Clotilde eram conhecidos pela rotina ativa, viagens em família e forte ligação com o trabalho. Eles foram descritos por conhecidos como pessoas cheias de vida, que gostavam de conhecer o mundo e compartilhar momentos felizes com parentes e amigos nas redes sociais.
Cláudio era advogado atuante, pós-graduado em Direito Empresarial pela PUC Minas e sócio-fundador do escritório Atala Inácio Advogados Associados, na capital mineira. Conforme a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), ele concentrava o trabalho principalmente nas áreas trabalhista e empresarial.
Maria Clotilde dedicou anos de sua vida ao comércio varejista na capital. Ela constava como ex-sócia da empresa Homestore Presentes e Decoração, estabelecimento que também funcionava no bairro São Pedro e que atualmente encontra-se com o CNPJ baixado. De acordo com o sobrinho do casal, Henrique Maciel, ela também teve um passado dedicado ao esporte, atuando como atleta por muitos anos.
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