Há uma cena que Alexandre Pscheidt não conta para impressionar ninguém. Ele conta porque foi real: meses dormindo sob viadutos e em lugares inóspitos de uma cidade que não o reconhecia mais. Era 2020. Poucas semanas antes, ele havia perdido o irmão, médico, 43 anos, e o pai, ambos para a Covid, num intervalo de duas semanas. A casa ruiu. O chão acabou.
Alexandre conta isso de propósito porque é exatamente o oposto do homem que hoje se tornou. Aos 52 anos, Alexandre Pscheidt é empresário, escritor e mentor. Fundou a Aequity Editora, em Alphaville, na cidade de Barueri/SP e o Manáhub Instituto de Educação. Já ajudou mais de 50 autores, médicos, presidentes de corporações, pastores, mentores e líderes a transformar o que viveram em livro. Escreveu três dos seus próprios. Quando explica o que faz, usa uma palavra antiga: escriba. “Não só das minhas histórias”, mas “Das histórias dos outros.”
Para entender a distância que percorreu, é preciso voltar ao começo. Alexandre nasceu em 1974, filho de um engenheiro e empreiteiro que fez da integridade um modo de viver e que passava temporadas longas longe de casa, em obra. Nunca faltou nada material. Faltou outra coisa. Cresceu cercado de gente atraída pelo que ele tinha, não pelo que era. Estudou Engenharia, especializou-se em Gestão e em Projetos, geriu grandes obras e equipes numerosas. Sabia conduzir o trabalho dos outros. A própria vida, não.
A virada não foi planejada, mas foi necessária. Saindo de um coma, descobriu que uma mulher havia orado por ele enquanto esteve inconsciente. Ela insistiu por semanas, mesmo sendo rejeitada, até conduzi-lo a um lugar de fé. Alexandre descreve aquele momento como a libertação de 30 anos de escravidão, da depressão, da ansiedade, do vício. Aquela mulher que não desistiu dele é hoje sua esposa: um anjo enviado para sua restauração.
Da dor saiu direção. Alexandre começou a escrever, primeiro a própria história, depois as dos outros, e descobriu ali um dom que não sabia que tinha: o de pegar uma vida desordenada, pensamentos soltos, experiências dispersas e transformá-las em narrativa que permanece. Foi assim que nasceram a editora e o instituto. No Manáhub, forma empresários e líderes a crescerem com caráter, integridade e propósito, repetindo uma convicção que não aprendeu em teoria: prosperidade verdadeira se constrói com integridade, princípios sólidos e o principal pilar, a família.
Como líder cristão, levou o próprio testemunho a muitas igrejas, presídios, escolas, centros de recuperação e comunidades por todo o país, oferecendo a quem está no fundo do poço a coisa mais rara de se encontrar, a prova viva de que dá para recomeçar.
Há uma tentação fácil de transformar uma história dessas em frase de efeito. Alexandre resiste a ela. O que ele faz, todos os dias, é menos espetacular e mais difícil: transformar caos em ordem, na própria vida e na de quem confia a ele a tarefa de registrar a sua. É um trabalho feito de escuta e de método. Mas é também, no sentido mais exato da palavra, um legado.
Quando pergunto o que o move, ele diz: “Esse é o meu chamado, esse é o meu propósito”. Vindo de quem voltou de onde ele estava, não soa como discurso. Soa como conta paga.
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