
Bem-vindo a 2026. O primeiro pregão do ano já chega carregado de expectativas, com os investidores de olho em Brasília, nas movimentações internacionais e, claro, no comportamento do dólar, que abriu hoje, 2 de janeiro em queda.
A queda do dólar
Hoje, o dólar abriu em baixa, seguindo a tendência de alívio vista no último pregão de 2025, quando fechou abaixo de R$ 5,50, marcando R$ 5,48 com uma queda de 1,43%. Esse recuo reflete um clima externo mais favorável às moedas emergentes, como o real, impulsionado pela recuperação de commodities metálicas e uma menor demanda de empresas por remessas de lucros ao exterior. Mas será que essa calmaria dura? O histórico de volatilidade do dólar, que subiu 2,89% em dezembro de 2025, mostra que qualquer ruído político ou externo pode mudar o jogo rapidamente.
Essa movimentação do dólar é um respiro para quem acompanha os custos de importação ou planeja viagens, mas o mercado já está de olho no que vem pela frente. Afinal, a força do real está atrelada a fatores como a taxa Selic, que segue em 15%, atraindo investidores estrangeiros pelo chamado "carry trade", quando se lucra com a diferença de juros entre países.
Lá fora Trump promete anunciar novo presidente do FED
No cenário internacional, os olhos estão voltados para os Estados Unidos, onde Donald Trump promete anunciar o sucessor de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve ainda este mês, enquanto pressiona por cortes de juros. No entanto, 83% do mercado aposta que o Fed não mexerá na política monetária em janeiro, com a taxa atual entre 3,50% e 3,75%. A ata da última reunião do Fed, divulgada recentemente, revelou um comitê dividido, com alguns membros abertos a manter os juros inalterados, enquanto outros consideram cortes adicionais se a inflação desacelerar. Dados como o PMI industrial de dezembro, divulgado hoje nos EUA e na Europa, também estão na mira dos investidores para medir o ritmo da economia global.
Essa dinâmica lá fora influencia diretamente o Brasil. Um FED mais "dovish", ou seja, inclinado a cortar juros ajudaria a turbinar mercados emergentes.
O ano começou com eleições no radar
Por aqui, 2026 já começa com o cheiro de campanha no ar. O ano eleitoral promete ser um dos principais termômetros para o mercado financeiro, com incertezas sobre quem enfrentará o presidente Lula, que segue forte nas pesquisas de intenção de voto. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro pela oposição, somada à preferência de investidores por nomes como Tarcísio, cria um cenário de divisão na direita e no centro.
Enquanto isso, Lula aposta em medidas populares, como isenção de IR e gratuidade no transporte coletivo, para pavimentar o caminho a reeleição. Do lado fiscal, a sanção da LDO com 26 vetos, incluindo o aumento do Fundo Partidário e o resgate de emendas do orçamento secreto, sinaliza um esforço de contenção de gastos, algo que o mercado aplaude, mas observa com cautela. Afinal, ano de eleição costuma trazer promessas que pesam no bolso público.
Todo esse cenário impacta diretamente as expectativas para a política monetária. Com o emprego aquecido e a inflação de serviços ainda pressionada, o Copom deve manter a Selic em 15% na primeira reunião de 2026, que acontecerá 27 e 28 de janeiro. Parece que o alívio nos juros ainda está longe.
Entre um dólar momentaneamente mais fraco, um Fed imprevisível e um calendário eleitoral carregado, 2026 começa exigindo atenção redobrada. O mercado já está em movimento e o que não vai faltar é volatilidade pelo caminho.