Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

A contraditória semana pré-Natal dos mercados

Publicado em 19/12/2025 às 19:28.

Nesta semana que antecede o Natal, o mercado financeiro global e brasileiro mostrou movimentos que misturam o humor do investidor.

Aumento de juros no Japão e dados enfraquecidos nos EUA
O Banco do Japão elevou sua taxa básica de juros para 0,75%, o maior nível desde 1995. A decisão reflete uma tentativa de equilibrar crescimento e inflação, e o presidente do Banco do Japão (BOJ) indicou que novos ajustes podem ocorrer. Enquanto isso, nos EUA, o índice de preços ao consumidor veio abaixo do esperado, mas as apostas em um possível corte de juros pelo Fed em janeiro ainda não ganharam força.

No Brasil, Copom e as expectativas monetárias

Aqui no país, o foco continuou na ata do Copom, que reforça uma postura conservadora do Banco Central. Gabriel Galípolo, futuro presidente do BC, deixou claro que decisões sobre a Selic em janeiro dependem de dados mais recentes. No dia 17 de dezembro, publiquei a coluna “Por que o Banco Central manteve os juros em 15%? Entenda”. Para nós, investidores, isso significa que os investimentos em renda fixa continuam atrativos.

Orçamento de 2026 e medidas fiscais

O Congresso aprovou o Orçamento de 2026 em uma sessão incomum, marcada para uma sexta-feira perto do Natal, motivada pela necessidade de liberar emendas parlamentares, recursos que deputados e senadores direcionam para projetos locais. 

Junto a isso, vieram cortes em benefícios tributários e aumentos na taxação de setores como fintechs e apostas, com o governo projetando um equilíbrio fiscal que resulte em déficit zero. No entanto, a Instituição Fiscal Independente (IFI) estima que será necessário um esforço adicional de R$ 26,5 bilhões para zerar o resultado primário, devido a diferenças nas projeções de receitas líquidas, que ficariam R$ 60,2 bilhões abaixo do estimado pelo governo. Essa movimentação fiscal pode ajudar a construir confiança entre investidores, ao sinalizar menor risco de endividamento.

Transições políticas e econômicas

Fernando Haddad confirmou sua saída da Fazenda até fevereiro, para se envolver na campanha de Lula, sem ambições eleitorais pessoais. Lula, por sua vez, expressou o desejo de ver aliados em cargos-chave e demonstrou otimismo com uma possível queda dos juros, confiando em Galípolo, que, pela ata do Copom, já sinalizou que esse corte provavelmente não ocorrerá em janeiro.

Esses movimentos políticos adicionam camadas de imprevisibilidade, influenciando o humor dos investidores.

Diante de todas essas informações, a Bolsa não reagiu bem. O dólar voltou a operar no patamar de R$ 5,52, estabilizando-se nesse nível já há três dias. O movimento esperado não era esse, e é importante estarmos atentos aos próximos passos do mercado.

À medida que nos aproximamos das festas de fim de ano, o mercado normalmente entra em um ritmo letárgico, à espera do próximo ano e de novas oportunidades no início do ano que está por vir.

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