Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Acordo de Paz, superquarta e o desafio de fingir que será uma semana normal

Publicado em 15/06/2026 às 10:33.

A semana começa com o petróleo derretendo 5% na abertura dos mercados nessa segunda-feira, porque Estados Unidos e Irã decidiram, no fim de semana, que talvez seja melhor parar de brigar. O acordo ainda não foi assinado. Isso só acontece na sexta-feira dia 19, na Suíça. Mas o mercado já tratou o entendimento como fato consumado e devolveu o protagonismo para onde ele sempre deveria estar, os bancos centrais.

E não é qualquer semana de banco central. É Superquarta, com Fed e Copom decidindo juros, G7 reunido na França, Lula em rota de colisão diplomática por causa de tarifas e carne bovina, e Brasília tentando avançar uma pauta que parece eternamente em obras. A paz no Oriente Médio talvez por já estar precificada, seja a parte mais tranquila da semana.

O Fed Estreia o Time Novo 
Quarta é dia de decisão do Federal Reserve, a primeira sob Kevin Warsh. A expectativa é manutenção de juros, mas o que importa é o tom. Com a inflação americana acomodando e o petróleo devolvendo parte do prêmio de guerra acumulado desde abril, o terreno está mais fácil para Warsh do que estava há um mês. Mesmo assim, estreia é estreia, e o mercado vai dissecar cada vírgula do comunicado em busca de pistas sobre até onde vai o ciclo de manutenção e quão confortável o Fed está com a desaceleração da inflação.

Copom Muda de Ideia
Na quarta também é dia de Copom, e o consenso mudou de ideia mais rápido do que o trânsito de Brasília. A expectativa de manutenção que ganhava força desde o início do mês perdeu espaço para a aposta em corte de 0,25 ponto na Selic. Se nada muito grave acontecer até lá, a taxa pode terminar a semana em 14,25%. A reabertura de Ormuz ajuda nessa virada, ao reduzir um risco inflacionário relevante, mas o IPCA de maio, em 0,58%, veio acima do esperado, com núcleos pressionados. 

A guerra parava de empurrar a inflação para cima, mas a doméstica continua empurrando por conta própria. O radar ainda traz Boletim Focus hoje, varejo na terça, IBC-Br na quarta, e juros no Japão e no Reino Unido. 

G7 e Brasília, Dois Palcos Para a Mesma Indecisão
O G7 começa hoje na França em clima bem diferente do que se imaginava há uma semana, com o acordo dando fôlego para discutir crescimento global, comércio e inteligência artificial sem o barulho de uma guerra. 

Lula participa como convidado, mantém aberta uma conversa com Trump sobre as tarifas e ainda deve tratar do impasse sobre a carne bovina com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia e principal interlocutora comercial do bloco. 

Em Brasília, a semana se divide entre pautas que o governo chama de estratégicas e a repercussão das denúncias contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que nega ter recebido pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na Câmara, Hugo Motta promete levar ao plenário o fim da escala 6x1. No Senado, a PEC da Segurança e os minerais críticos dependem das negociações com o próprio Alcolumbre, justamente o personagem do escândalo da semana.

Com o feriado de Juneteenth, que marca o fim da escravidão nos Estados Unidos, fechando os mercados americanos na sexta, as atenções podem se voltar para a assinatura formal do acordo, na Suíça, e para a reabertura de Ormuz, prometida só após a remoção das minas.

Entre Fed, Copom, G7 e Brasília, a grande dificuldade desta semana talvez não seja prever o próximo movimento, mas o mercado decidir qual deles importa mais. 

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