O mercado parece começar a semana confortável. O petróleo cai pelo quarto pregão seguido, os juros futuros brasileiros ignoram a piora lá fora e o embate político segue vivo.
O problema é que esse conforto depende de coisas que ainda não aconteceram, como um encontro produtivo entre Trump e Xi Jinping, pesquisas eleitorais que confirmem esse cenário e uma ata sem surpresas do Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros.
Hoje já tem o boletim Focus, pesquisa em que economistas projetam inflação, juros e câmbio, e as primeiras sondagens eleitorais. A tese desta segunda é que a semana traz um teste por dia, e os preços já assumem um desfecho para cada um deles.
Terça, ata do Copom
O dia mais pesado é amanhã. Sai a ata do Copom, que detalha a decisão que levou a Selic a 13,75%, e o mercado vai vasculhar cada vírgula atrás de pistas sobre os próximos passos, já que o comunicado reconheceu atividade mais fraca e inflação melhor.
No mesmo dia, a Fazenda divulga o Boletim Macrofiscal, com novas projeções oficiais de crescimento e inflação, e Lula abre a Assembleia Geral da ONU, seguido por Trump. Discurso para o mundo, com um ouvido no eleitor brasileiro.
Trump ainda conversa com líderes do Golfo sobre o pós-guerra, e o presidente do Irã, também em Nova York, pode virar assunto de corredor.
Quarta e quinta também serão dias importantes
Na quarta chegam os PMIs, índices que medem o ânimo da indústria e dos serviços nos Estados Unidos e na Europa, além dos estoques americanos de petróleo, termômetro de quanto o barril aguenta cair.
A pesquisa AtlasIntel também sai nesse dia. O TCU, tribunal que fiscaliza as contas do governo, julga a política de preços da Petrobras em sessão reservada.
A quinta é o prato principal. Xi Jinping é recebido por Trump em Washington, com a trégua tarifária vencendo em 10 de novembro. O desfecho mais provável é a prorrogação da trégua tarifária, acompanhada de compras agrícolas chinesas e alguma promessa sobre barreiras não tarifárias, o tipo de anúncio que rende alívio no curto prazo.
Taiwan e inteligência artificial também serão temas importantes, o risco para o mercado não é o fracasso, e sim um acordo pequeno diante de uma expectativa grande.
O mercado espera explicações de como fechar a conta
Ainda na quinta, o governo detalha de onde sai o dinheiro para o aumento de 15% no Bolsa Família, em um momento em que a dívida bruta já caminha para perto de 90% do PIB.
O Ministério Público que atua junto ao TCU já pediu a suspensão do reajuste, e o mercado, de olho no risco fiscal, recebeu bem a ideia.
Na sexta, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, fecha a semana. Lá fora, dirigentes do Fed, banco central americano, falam quase todo dia, com o juro de dez anos do Tesouro acima de 5%.
Minha leitura para a semana é de cautela. A bolsa tem mais motivo para andar de lado ou recuar do que para subir, com a Petrobras sem o petróleo, a Vale pressionada pelo frete para a China e a Treasury de 10 anos superando os 5%. Se Trump e Xi Jinping entregarem mais do que o esperado, o cenário pode mudar. Só que a expectativa alta raramente deixa espaço para surpresa boa.