Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Ata do Fed e indicadores de emprego são destaque na última semana de 2025

Publicado em 29/12/2025 às 09:13.Atualizado em 29/12/2025 às 09:14.

Nesta reta final de 2025, o mercado financeiro opera com um olho no relógio e outro nos indicadores que ainda podem mexer com os ânimos antes da virada para 2026.

Entre agendas cheias no Brasil e no exterior, dados de emprego, contas públicas e a aguardada ata do Federal Reserve (Fed).

Agenda Pesada com a Ata do Fed e Sinais de Juros nos EUA
Começando pelo cenário internacional, um dos destaques da semana é a divulgação da ata da última reunião do Fed, marcada para amanhã. Esse documento é sempre aguardado com ansiedade, pois traz detalhes sobre o que os diretores do banco central americano pensam sobre a economia e os juros. Dados recentes da plataforma CME Group mostram que o mercado está mais cauteloso, apostando em uma pausa nos cortes de juros em janeiro e, no por enquanto, uma redução de 0,5 ponto
percentual ao longo de 2026. Isso reflete uma preocupação com a inflação e o ritmo de crescimento nos EUA. Além disso, indicadores como vendas de imóveis e estoques de petróleo, que saem hoje, e o PMI de Chicago, amanhã, podem dar mais pistas sobre o humor da economia americana. Em um momento de liquidez reduzida por
causa do fim de ano, qualquer número fora do esperado pode gerar volatilidade.

Enquanto isso, as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, impulsionadas por conversas recentes envolvendo lideranças globais, também estão no radar. Um possível acordo, ainda que distante, pressiona os preços do petróleo, que já mostram instabilidade.

No Brasil, emprego e Selic ganham destaque
Aqui no Brasil, a semana também promete ser movimentada. Amanhã, dois indicadores importantes sobre o mercado de trabalho serão divulgados, a Pnad Contínua, e os dados do Caged. Esses números são cruciais porque o mercado de trabalho tem sido um obstáculo para o Banco Central (BC) reduzir a Selic, nossa taxa
básica de juros.

Essa discussão sobre juros ganha ainda mais relevância quando olhamos para o lado fiscal. Hoje, o Tesouro Nacional divulga as contas do Governo Central. Amanhã, o BC traz o resultado consolidado do setor público. Para o investidor, isso acende um alerta sobre a capacidade do governo de equilibrar as contas, algo que influencia diretamente a confiança no mercado e o custo de financiamento do país.

Contas públicas e as tensões políticas estão no centro do debate
Recentemente, o Congresso aprovou cortes de R$ 11,3 bilhões em despesas obrigatórias no Orçamento de 2026, incluindo R$ 6,2 bilhões de benefícios previdenciários, para aumentar emendas parlamentares e o fundo eleitoral. Além disso, há um calendário que obriga o governo a liberar recursos para emendas no primeiro semestre do próximo ano, antes das eleições. Essas decisões reforçam a percepção de que o controle fiscal pode ser sacrificado por interesses políticos, o que não costuma ser bem recebido pelo mercado.

Por fim, não podemos ignorar as tensões institucionais que rondam o recesso de fim de ano. Está marcada para amanhã, por determinação do STF, uma audiência de acareação envolvendo o Banco Central e figuras ligadas a investigações no sistema financeiro (Banco Master). 

O caso, que tem potencial para abalar a confiança no setor, será acompanhado de perto por quem opera na bolsa ou tem interesse na estabilidade do mercado. Embora os detalhes ainda estejam em aberto, com a B3 fechada na quarta e quinta-feira e os mercados internacionais funcionando em horários reduzidos, qualquer desdobramento pode gerar impacto rápido, especialmente em um ambiente de baixa liquidez. 

Que as decisões sejam melhores que as previsões, os aprendizados maiores que os erros e que o tempo trabalhe a favor de quem constrói com amor e propósito. Feliz 2026, com muita saúde e prosperidade.

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