Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Bolsa e câmbio pouco refletem (por ora) as tensões globais

Publicado em 18/04/2026 às 07:10.
 (Freepik)
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O cenário internacional segue como o principal motor de volatilidade. A trégua de 10 dias entre Israel e Líbano, em vigor desde quinta-feira, trouxe um alívio temporário, mas o mercado não se deixa levar por otimismo fácil. As declarações do presidente americano, Donald Trump, que sugeriu “muito progresso” e até um acordo iminente com o Irã, perderam força diante de contradições no próprio discurso.

A ausência de confirmação pelo Paquistão sobre um novo encontro no fim de semana reforça o ceticismo. Esse vai e vem mantém o petróleo pressionado, com o Brent para junho saltando 4,69% a US$ 99,39 e o WTI para maio subindo 3,72% a US$ 94,69, refletindo a incerteza sobre a oferta global de energia e as rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.

Agenda Econômica e Resultados Setoriais em Detalhe

A agenda econômica desta sexta-feira foi mais leve, com a segunda prévia do IGP-M de abril como destaque local, enquanto no exterior a balança comercial da Zona do Euro e falas de membros do Fed estiveram no radar. Na noite de quinta-feira, a Vale divulgou seu relatório de produção e vendas, reportando crescimento de 3% na produção de minério de ferro e 3,9% nas vendas, mas com restrições logísticas em suas unidades de Omã, no Oriente Médio, que devem impactar operações até o terceiro trimestre.

Ja no setor de energia, a Petrobras voltou ao radar dos investidores após mudanças em sua estrutura de governança. A companhia promoveu uma renovação parcial no Conselho de Administração e definiu um novo comando para o colegiado, em um movimento que rapidamente repercutiu no mercado. Mais do que a troca em si, o episódio reacende a atenção sobre o papel da estatal dentro do cenário político e os possíveis impactos nas decisões estratégicas da empresa.

Recordes e Movimentações no Brasil

Na última quarta-feira, o Ibovespa alcançou um recorde histórico, impulsionado por um fluxo robusto de capital estrangeiro, acumulando R$ 69 bilhões no ano. Apesar disso, o índice não conseguiu manter o fôlego, recuando 0,46% na quinta-feira para 196.818,59 pontos, com giro de R$ 30,3 bilhões, um pouco longe dos sonhados 200 mil pontos. Já o dólar marcou outro feito notável hoje, operando em R$ 4,95, se consolidando abaixo da barreira psicológica dos R$ 5. Esses números mostram um mercado local vivendo momentos de glória, mas preso a um compasso de espera por desdobramentos externos.

Fiscal e Eleitoral: Sondagens e Críticas no Horizonte

A política fiscal brasileira também esteve sob os holofotes. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso, já enfrenta críticas por uma meta de superávit primário de 0,5% do PIB (R$ 73,2 bilhões), considerada insuficiente por analistas para um ajuste real da dívida pública. Com 2026 sendo ano eleitoral, há temores de “pacotes de bondade”; que possam inflar despesas, enquanto sondagens como as do Datafolha, embora não mencionadas diretamente no noticiário desta semana, pairam como pano de fundo para avaliar o humor político e seu impacto no mercado. Além disso, o governo avançou com linhas de crédito de R$ 15 bilhões via BNDES para exportadores afetados pela instabilidade externa, com taxas entre 2% e 8% ao ano e prazos de até 20 anos, numa tentativa de amortecer os choques globais.

Os investidores parecem enxergar um cenário que inspira confiança para os próximos passos. O Dólar apresenta um caminho claro para recuar rumo aos R$ 4,90 e, num futuro próximo, quem sabe alcançar R$ 4,80 no curto prazo, refletindo a força do real em meio a fluxos positivos de capital. Ja o Ibov pode estar pronto para retomar sua trajetória ascendente, voltando ao céu de brigadeiro e conquistando novos topos históricos, caso as condições externas sejam favoráveis. É um momento que pede atenção, mas também abre portas para continuação dos movimentos.

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