Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Bolsa em nova alta histórica e dólar em queda para patamar de 2024

Publicado em 30/01/2026 às 18:47.Atualizado em 30/01/2026 às 18:48.

Chegamos ao fim de mais uma semana no mercado financeiro, e o que não faltou foi emoção com novos topos históricos do Ibov e dólar trabalhando em patamares de 2024.

Copom abre as portas para cortes na Selic

Um dos grandes destaques da semana foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 15%, mas com um recado claro, os cortes de juros estão a caminho, possivelmente já na próxima reunião, em março.

O comunicado do Banco Central pegou o mercado de surpresa ao abandonar o tom mais duro dos últimos meses e sinalizar que é hora de "calibrar" a política monetária. Apesar de pedir "serenidade" no ritmo das quedas, a maioria dos analistas já aposta em um corte inicial de 0,50 ponto percentual, enquanto outros não descartam algo mais tímido, de 0,25 ponto.

O que animou o mercado foi a percepção de que a inflação está mais controlada, com o IPCA-15 de janeiro desacelerando para 0,20%, abaixo do esperado. Além disso, a forte valorização do real, com o dólar caindo para perto de R$ 5,19, tem ajudado a aliviar as pressões sobre os preços. Por outro lado, o BC ainda vê riscos, como a economia aquecida e o mercado de trabalho resiliente, que podem limitar a velocidade dos cortes. 

Ibovespa: recordes e correções

Falando em bolsa, o Ibovespa viveu uma semana de montanha-russa. O índice bateu recordes históricos, ultrapassando os 186 mil pontos no intraday de quinta-feira, embalado pelo fluxo de capital estrangeiro que não dá sinais de arrefecer. O volume de negócios permaneceu robusto, com giros diários na casa dos R$ 30 bilhões, mostrando que o investidor gringo continua apostando no Brasil. As blue chips, como Petrobras e Vale, foram protagonistas, subindo mesmo com oscilações no petróleo e no minério de ferro.

Porém, nem tudo foram flores. Na mesma quinta-feira do topo histórico, o índice cedeu 0,84%, fechando em 183.133 pontos, pressionado por incertezas externas e pela realização de lucros após uma sequência de altas. Os bancos, que vinham sustentando o rali, também pesaram no recuo, com quedas de nomes como BTG Pactual e Santander. Ainda assim, janeiro termina com um ganho acumulado de 12,40% no Ibovespa, um começo de ano que poucos esperavam.

Dólar em queda e o novo nome do Fed

No câmbio, o real foi um dos grandes vencedores da semana. O dólar furou o patamar de R$ 5,20, chegando a R$ 5,19, o menor nível desde 2024. A combinação de entrada de capital externo e fraqueza da moeda americana no exterior, impactada por ruídos políticos nos EUA, deu força à nossa moeda. 

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, sem dar pistas claras sobre os próximos passos. Hoje o presidente Donald Trump anunciou oficialmente Kevin Warsh como indicado para suceder a Jerome Powell na presidência do Fed, mas a nomeação ainda depende de aprovação do Senado americano.

O que vem por aí?

Olhando para frente, o Ibovespa deve continuar atraindo fluxo estrangeiro, mas não está imune a correções se o cenário externo azedar e o mercado já precifica um ciclo de alívio monetário no Brasil, mas a magnitude e o ritmo ainda são uma incógnita. A próxima reunião do Copom acontecerá nos dias 17 e 18 de março de 2026, e acompanharemos os resultados dos indicadores econômicos bem de perto. 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por