O feriado de Finados não deu descanso a ninguém. Enquanto o pregão brasileiro estava fechado, o petróleo despencou quase 8%, as ações de tecnologia caíram em Nova York com o medo de que as gigantes do setor estejam gastando bilhões com inteligência artificial sem garantia de retorno e, em Brasília, ressurgiu a velha tentação de baixar juros no grito.
A tese desta semana é que o maior risco para o investidor brasileiro não vem de fora. Vem da discussão sobre os juros, que saiu do Banco Central e foi parar no palanque.
A Paz Saiu Cara Para a Petrobras
O Brent, referência internacional do petróleo, caiu para perto de US$ 105 com a conversa entre Irã e Catar para encerrar a guerra.
As ADRs da Petrobras, ações da empresa negociadas em Nova York, afundaram 3,5% no feriado, possivelmente antecipando a abertura de hoje. É o paradoxo do momento. A notícia boa para o mundo vira notícia ruim para quem tem Petrobras na carteira.
O Goldman Sachs, porém, não comprou a trégua e vê espaço para o barril chegar a US$ 140 em 2027 se a produção no Golfo não voltar.
Lucro Recorde, Ação em Queda. Faz Sentido?
Do lado de lá, a Apple e a Palantir entregaram resultados acima do esperado e mesmo assim caíram no pós-mercado. A Oracle desabou quase 9% ao anunciar captação de US$ 20 bilhões para bancar sua expansão em IA, e a Anthropic, que prepara IPO para este mês, viu investidores pedirem uma avaliação mais modesta.
O mercado continua apaixonado pela tecnologia, só não quer mais pagar a conta do jantar. AMD, Qualcomm e McDonald’s divulgam números ao longo da semana.
Brasília Quer Cortar o Juros na Marra
Aqui, a ideia do economista André Lara Resende de cortar a Selic para 7,5% e usar reservas para segurar o dólar ganhou aplausos no PT e arrepios no mercado. O ministro Dario Durigan negou tudo, mas o estrago está feito.
O Copom, comitê do Banco Central que define os juros, se reúne hoje e amanhã, e o mercado aposta 80% na manutenção da Selic em 13,75%.
Hoje, o Boletim Focus, pesquisa semanal do BC com economistas, deve mostrar o tamanho do pessimismo pós-eleição.
Agenda Importantíssima ao Longo da Semana
Os americanos votam hoje nas eleições de meio de mandato, que podem tirar de Trump o controle do Congresso.
Na sexta-feira, o payroll, relatório oficial de empregos dos EUA, pode indicar se o Fed, banco central americano, vai subir os juros de novo em dezembro.
Com uma agenda tão carregada, a volatilidade deve seguir alta até sexta. Trabalhar com cautela e manter a carteira protegida não é excesso de zelo, é a melhor forma de atravessar a semana sem sustos maiores. Bom senso nunca é demais.