Depois de 13 dias seguidos de bombardeios, Washington resolveu dar uma pausa e o petróleo já tratou de comemorar. O Brent, referência de preço do petróleo no mundo, devolveu boa parte do rali de 10% da semana passada e caiu para perto de US$ 93 dólares. O investidor global voltou a se preocupar com coisas normais, tipo juros nos Estados Unidos, balanço de big tech e se a Selic cai 0,25 ou 0,50 pontos na próxima reunião do Copom, comitê que define os juros no Brasil.
O bloqueio no Estreito de Ormuz continua em vigor. Os houthis seguem incomodando a navegação. Irã e Estados Unidos apenas suspenderam a ofensiva, não assinaram nada, e Trump já deixou claro que todas as opções seguem na mesa, ou seja, a mesa está posta e o guardanapo, no colo. Ainda assim, o mercado prefere precificar que teremos final feliz com certa antecedência.
O Fed antes do Copom
Sem superquarta desta vez, mas o Fomc, comitê que decide os juros nos Estados Unidos, se reúne quarta-feira e deve manter a taxa parada, sinalizando o caminho até setembro. Kevin Warsh e a maioria do colegiado devem preservar o tom conservador, ajudados pela trégua no petróleo.
Por aqui, o IPCA-15, prévia mensal da inflação, sai amanhã com projeção de desaceleração para 0,21%, ante 0,41% em junho, municiando o corte de 0,25 ponto esperado no Copom, comitê que define a Selic, nos dias 4 e 5 de agosto.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, não deu pista nenhuma na Expert XP.
Lá fora, o BoE britânico decide quinta e o BoJ japonês sexta, mesmo dia do PMI industrial americano e da confiança do consumidor da Universidade de Michigan.
Balanços que decidem a semana
Meta e Microsoft abrem o balanço das big techs na quarta, Amazon e Apple entram na quinta. Também reportam Visa, Mastercard, Coca-Cola, Boeing e Chevron. Na Europa, bancos como Barclays e Deutsche Bank dividem espaço com Airbus e AB InBev. Por aqui, Vivo e TIM soltam números hoje, o Santander na quarta, e na quinta o mercado trava a respiração com Vale e Ambev, dois pesos pesados do Ibovespa.
Eleições voltam ao radar
Petróleo mais barato é ótimo para a inflação, mas não podemos esquecer que o real também lucra com barril caro. Desde que a guerra começou, o dólar cedeu mais de 1,5%, e agora que o risco geopolítico dá trégua, a moeda pode perder parte do fôlego ganho sem participar do conflito. Se o barril normalizar na faixa de 80 dólares, os olhos do mercado podem projetar o câmbio de volta nos 5,30, com a eleição de outubro precificando medo.
A política no Brasil e no mundo
Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, viaja amanhã a Washington, e Trump recebe na terça o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para discutir um cessar-fogo aéreo com a Rússia. Por aqui, Lula usou artigo no Washington Post para rebater Marco Rubio, secretário de Estado americano, sobre o tarifaço, enquanto a disputa eleitoral esquenta com a candidatura de Flávio Bolsonaro pelo PL e o vídeo de IA com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro já parando no TSE, tribunal que julga questões eleitorais.
A semana promete devolver o protagonismo aos bancos centrais, aos resultados das empresas e à política. Mas a trégua no Oriente Médio está longe de significar o fim dos riscos. Como o mercado vem aprendendo diariamente, basta uma manchete para mudar completamente o humor dos investidores. A volatilidade pode ter diminuído, mas a incerteza continua sendo o principal ativo da semana.