O mercado financeiro inicia a semana sob um clima de apreensão, com os desdobramentos no Oriente Médio ditando o ritmo dos ativos. O fracasso nas tentativas de negociação entre Estados Unidos e Irã sequer avançou no fim de semana e acendeu um alerta vermelho. A situação se agravou com a postura firme do presidente Donald Trump, que cancelou o envio de representantes a Islamabad e mantém o cerco aos portos iranianos, reforçando um discurso de pressão máxima. Esse impasse não apenas prolonga o conflito, mas também sustenta a alta do petróleo Brent, que fechou a semana passada com um rali de 16,5%, a US$ 105,33, impactando diretamente as expectativas de inflação global.
Superquarta em destaque: Fed e Copom sob os holofotes
A agenda econômica desta semana é um campo minado de volatilidade, com o ponto alto na chamada superquarta. O Federal Reserve (Fed) anuncia sua decisão sobre os juros às 15h de quarta-feira, seguido por uma coletiva de Jerome Powell, possivelmente sua última como presidente, já que a indicação de Kevin Warsh para o cargo avança no Senado.
O consenso aponta para a manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%, mas o mercado busca sinais sobre até quando a política restritiva será mantida, especialmente com o choque de energia no radar. No Brasil, o Copom decide a Selic no fim da tarde, com a maioria das projeções (33 de 37 instituições consultadas) apostando em um corte de 0,25%, refletindo cautela diante da inflação pressionada pelo petróleo.
Atenção aos indicadores econômicos IPCA-15 e PCE
A semana também traz dados cruciais que podem mexer com as expectativas. No Brasil, o IPCA-15 de abril, a ser divulgado na terça-feira, é esperado em 0,98%, indicando uma aceleração da inflação. Nos Estados Unidos, o PCE de março, índice preferido do Fed para medir preços, sai na quinta-feira, junto com a primeira prévia do PIB do primeiro trimestre. Esses números funcionam como o principal termômetro da semana, um PCE acima do esperado pode reforçar a tese de juros altos por mais tempo, enquanto o PIB sinaliza o ritmo da atividade econômica, que enfrenta ventos contrários do custo de energia.
Balanços e petróleo ganham evidência
A temporada de balanços do primeiro trimestre ganha tração, com empresas relevantes na B3 e em Nova York divulgando números que testam a resiliência dos mercados. No Brasil, os resultados esperados para esta semana mostram um trimestre forte para algumas companhias do setor industrial, enquanto bancos adotam posturas mais cautelosas. Paralelamente, o setor de energia sente o impacto da guerra, com um reajuste de 18% no querosene de aviação previsto para sexta-feira, acumulando uma alta de 99% no ano. Essa escalada reflete o custo econômico de um conflito sem resolução à vista.
Riscos e expectativas para a semana demandam paciência
Com a volatilidade ampliada até o feriado de 1º de maio, o mercado opera em modo de cautela. O Estreito de Ormuz segue como peça central na disputa geopolítica, enquanto ataques pontuais em outras frentes da região, como no sul do Líbano, lembram a fragilidade de tréguas formais.
Para o investidor, o momento é menos sobre antecipar movimentos e mais sobre interpretar sinais. Em um ambiente onde a geopolítica voltou a contaminar a inflação e, por consequência, a política monetária, a leitura dos próximos passos dos bancos centrais será mais decisiva do que qualquer tentativa de previsão imediata.