Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Disparada do petróleo volta a pressionar os juros no Brasil

Publicado em 09/03/2026 às 13:46.Atualizado em 09/03/2026 às 13:46.

A semana começa com os mercados globais em alerta, o grande destaque do momento é a disparada impressionante do petróleo. Em poucos dias, a commodity rompeu níveis relevantes, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Conflitos intensificados na região, com trocas de ataques e ameaças de escalada, colocaram o mercado de energia em alerta máximo. Analistas já falam em cotações que podem chegar a níveis ainda mais extremos se a instabilidade persistir, o que pressiona diretamente os custos de combustíveis e, por tabela, a inflação global. 

Por aqui, a situação não é menos preocupante. A política de preços dos combustíveis está na berlinda, com o mercado questionando até que ponto será possível segurar repasses para o consumidor. A volatilidade internacional testa a paciência de quem acompanha o setor, enquanto o impacto nos preços de bens e serviços começa a ser sentido.

Dados de Inflação Podem Mudar o Jogo
Falando em inflação, esta semana traz números cruciais tanto no Brasil quanto no exterior. Nos Estados Unidos, indicadores importantes serão divulgados, servindo como termômetro para as próximas decisões de política monetária por lá. Aqui, o foco está nos dados do IPCA de fevereiro, que chegam em um momento de ansiedade sobre os rumos da taxa básica de juros. A expectativa é de que os números mostrem se a pressão dos preços continua a apertar o cerco, influenciando diretamente as apostas de corte de juros para a próxima reunião do Copom. 

O Banco Central brasileiro, aliás, está em uma posição desconfortável. Antes, havia quem apostasse em cortes mais agressivos na Selic, mas o cenário atual, agravado pelo petróleo, sugere um tom mais conservador. Um corte tímido, ou até mesmo a manutenção da taxa, começa a ganhar força entre os analistas. 

E Agora, o Que Esperar?
Em momentos como este, investidores costumam evitar concentração em ativos altamente expostos a conflitos geopolíticos, buscando mitigar perdas caso o cenário se prolongue.
Por isso, a diversificação se torna essencial. No momento, a renda fixa segue em destaque, beneficiada pelos juros elevados e pela proteção contra a inflação. O setor de energia também ganha força, favorecido pela escalada dos preços do petróleo. Fique de olho nos dados de inflação (como IPCA e CPI) e balanços trimestrais desta semana. Se a inflação persistir alta, a expectativa de um corte de juros de 0,5% na próxima reunião do Copom pode começar a perder força, mas um corte nem que seja de 0,25% é esperado.

Em breve, o timing político começará a influenciar diretamente os mercados. No geral, o foco passa a ser o equilíbrio, preservar capital enquanto se busca retornos moderados. Se o petróleo estabilizar, setores como tecnologia ou consumo podem recuperar, mas por ora, paciência será fundamental 

Lembre-se: Em mercados dominados por incerteza geopolítica, sobreviver costuma ser mais importante do que acertar o próximo grande movimento. E neste momento, preservar capital pode ser a decisão mais estratégica.

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