Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Do IBC-Br ao CPI, a semana que testa o fôlego da recuperação econômica

Publicado em 12/01/2026 às 09:40.Atualizado em 12/01/2026 às 09:41.

Com uma agenda econômica carregada, dados importantes sendo divulgados e ruídos políticos que não dão trégua, os investidores têm muito a acompanhar nos próximos dias. 

O Ritmo da Recuperação da Atividade Econômica no Brasil
Começando por aqui, o foco está nos indicadores que mostram como anda a saúde da nossa economia. Nesta semana, teremos números sobre o volume de serviços, as vendas no varejo e o IBC-Br, que é uma espécie de “termômetro” do PIB, todos referentes a novembro. Esses dados são cruciais para entender se o Brasil está mantendo o fôlego na recuperação econômica ou se há sinais de desaceleração. Além disso, a inflação de dezembro, que acelerou para 0,33% (dentro do esperado), reforça a percepção de que o Banco Central não deve mexer na taxa de juros, a Selic, pelo menos até março. Isso significa que o custo do dinheiro segue alto por enquanto, algo que afeta desde os empréstimos até os investimentos.

E por falar em Banco Central, há uma reunião importante prevista entre o presidente do TCU e diretores do BC. O tema? Um equilíbrio entre a autonomia da instituição e a fiscalização de suas ações, em meio a polêmicas recentes sobre a liquidação do banco Master. Esse tipo de discussão influencia a confiança no sistema financeiro brasileiro, algo que mexe diretamente com o mercado.

O cenário eleitoral também volta à pauta com uma nova pesquisa de intenções de voto para a presidência, que será divulgada na quarta-feira. Esses levantamentos, embora ainda distantes da eleição, mexem com as expectativas de longo prazo dos investidores, especialmente sobre como as políticas econômicas podem mudar dependendo de quem estiver no comando. 

Inflação e Juros nos EUA Sob os Holofotes
Lá fora, do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos também têm uma semana cheia. O destaque é a divulgação da inflação de dezembro, medida pelo CPI, um indicador econômico que mede a inflação ao consumidor, que sai na terça-feira. Economistas esperam uma aceleração após um número mais baixo em novembro, e isso pode mexer com as apostas sobre quando o Federal Reserve (o BC americano) vai cortar os juros. Por enquanto, o mercado aposta que isso só deve acontecer em junho, e não mais em abril, já que os dados recentes de emprego mostram que a economia americana não está tão fraca quanto se imaginava. Além disso, o Livro Bege, que traz um panorama da economia, e os balanços dos grandes bancos, como JPMorgan e Citi, também estão no radar. Esses números ajudam a traçar o cenário para os próximos meses, impactando desde o dólar até as bolsas globais.

Um Ingrediente Extra de Incerteza
Não bastassem os dados econômicos, o ambiente político adiciona uma camada de incerteza. A relação entre o governo e o Federal Reserve está cada vez mais tensa, com acusações e pressões públicas que levantam dúvidas sobre a independência da política monetária. Isso é um problema porque, se o Fed não puder decidir os juros com base em dados, mas sim por influência política, a confiança dos investidores pode ser abalada. Como reflexo, os futuros das bolsas americanas já abriram a semana em queda, mostrando que o mercado não gosta de instabilidade.

O Que Esperar dos Mercados?
Para quem acompanha o mercado ou simplesmente quer entender como isso afeta o dia a dia, a dica é ficar de olho nos números que saem ao longo da semana e em meio às incertezas, antecipar esses movimentos pode não ser o melhor caminho. Eles não só mostram o estado atual da economia, mas também dão pistas sobre o futuro dos juros, da inflação e, consequentemente, do nosso dinheiro. 

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