Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Dólar fraco e juros em queda: o que sustenta o otimismo da Bolsa

Publicado em 06/02/2026 às 19:27.

A semana começou com a bolsa brasileira mostrando força, atingindo patamares históricos e levando o Ibovespa a ultrapassar os 187 mil pontos. Era um claro sinal de confiança, impulsionado pelas expectativas de cortes na taxa básica de juros e pela entrada de capital estrangeiro, que parecia não ter fim.

No entanto, o humor mudou rapidamente.

Uma combinação de resultados corporativos abaixo do esperado e tensões políticas internas pesou sobre o ânimo dos investidores. Agora, o mercado encontra-se em um platô no topo, com sinais ambíguos e espaço tanto para novos recordes quanto para uma correção mais ampla.

Sinais do Banco Central com a ata do Copom

Um dos destaques da semana foi a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária. O documento trouxe uma visão mais clara sobre o futuro dos juros no Brasil, indicando que um corte pode estar próximo, possivelmente já na próxima reunião, com redução de 0,50 ponto percentual.

A ata destacou uma inflação caminhando para a meta de 3%, com estimativas em torno de 3,4% neste ano, o que abre espaço para um alívio monetário. Além disso, a recente desvalorização do dólar, que se mantém em níveis mais baixos, foi vista como aliada no controle das pressões de preços.

Aproveito para indicar a coluna “Melhores Oportunidades para Ganhar Dinheiro com a Queda dos Juros”, na qual detalharei as possibilidades de investimento para o cenário atual.

Balanços corporativos trouxeram expectativas frustradas

A temporada de balanços ganhou força nesta semana, trazendo um misto de alívio e cautela. Entre os grandes bancos, o Itaú Unibanco voltou a se destacar, registrando lucro recorrente de aproximadamente R$ 12,3 bilhões no último trimestre de 2025, avanço superior a 13% na comparação anual. O desempenho foi sustentado pela expansão da carteira de crédito e por inadimplência controlada, em torno de 1,9%, reforçando a percepção de solidez operacional.

O Bradesco também apresentou números relevantes, com lucro próximo de R$ 6,5 bilhões, mas o mercado reagiu com cautela diante de projeções conservadoras e do aumento das provisões para perdas. Já o Santander Brasil entregou crescimento mais moderado, sinalizando uma recuperação gradual.

Fora do setor financeiro, empresas ligadas a commodities sofreram com preços mais fracos de petróleo e minério de ferro, contribuindo para oscilações negativas no índice, especialmente nos dias de maior correção.

Dólar enfraquecido no mundo

Outro foco importante foi o mercado de trabalho dos Estados Unidos, que começa a mostrar sinais de desaceleração. Dados recentes indicaram redução no número de vagas abertas e aumento nos pedidos de auxílio-desemprego, elevando as apostas de um possível corte de juros pelo banco central americano em março.

A probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual subiu de menos de 10% para mais de 20% em poucos dias. No entanto, o relatório mais aguardado, o Payroll, teve sua divulgação adiada. Originalmente previsto para hoje, o dado será publicado apenas em 11 de fevereiro, devido a uma paralisação parcial do governo americano que deixou o Escritório de Estatísticas do Trabalho temporariamente sem orçamento.

Esses números, ou a ausência deles, têm peso global. A saúde da economia americana influencia o fluxo de capitais para mercados como o nosso, e a espera por dados concretos aumenta a incerteza, mantendo o dólar enfraquecido no mundo. A expectativa, por ora, é de continuidade da queda da moeda.

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por