Mesmo com o Natal no calendário e parte do mundo em ritmo de feriado, o mercado financeiro brasileiro seguiu atento e reagindo. A última semana cheia de 2025 revelou como os investidores estão lendo o cenário político, fiscal e monetário às vésperas de 2026.
Câmbio pressionado e Banco Central de olho
O dólar voltou a ser protagonista. A moeda americana chegou a se aproximar de R$ 5,60 no início da semana, puxada por remessas sazonais de lucros e dividendos ao exterior, um movimento típico de fim de ano, mas que ganhou força com o aumento da cautela política. Para conter a pressão, o Banco Central interveio com dois leilões de linha, oferecendo até US$ 2 bilhões em recursos novos. A ação surtiu efeito parcial, aliviando um pouco a pressão compradora, mas não eliminou o desconforto.
Incertezas políticas no radar
O cancelamento de uma entrevista que Jair Bolsonaro daria no início da semana foi interpretado inicialmente como hesitação e, paradoxalmente, trouxe alívio momentâneo aos ativos locais. A leitura foi de que o movimento poderia sinalizar uma reavaliação da estratégia política, o que ajudou a reduzir parte da pressão sobre o câmbio e os juros. Essa percepção está diretamente ligada ao olhar do mercado sobre as eleições de 2026.
No entanto, a narrativa pode mudar, dependendo do ambiente. Muitos analistas políticos apontam que o cancelamento foi, na verdade, uma decisão estratégica, diante dos últimos acontecimentos envolvendo o STF, o Banco Central e o Banco Master.
Bolsa reage com seletividade
O Ibovespa conseguiu respirar. O índice subiu 1,46% na terça-feira e fechou a semana próximo aos 160.800 pontos. O movimento foi puxado por ações ligadas ao consumo e à educação, que haviam sofrido nas sessões anteriores. Empresas como C&A, Cogna e Yduqs lideraram os ganhos, aproveitando o alívio nos juros.
Entre os bancos, o destaque ficou com Santander e Banco do Brasil, que avançaram com força. Já Petrobras e Vale tiveram desempenho mais discreto, acompanhando a estabilidade do petróleo e do minério de ferro.
Corporativo ativo, mesmo em clima de recesso
Mesmo com o ritmo mais lento, o noticiário corporativo trouxe novidades relevantes. A B3 anunciou a distribuição de quase R$ 2 bilhões em juros sobre capital próprio e revisou seu guidance de payout para cima. A Petrobras informou o resgate antecipado de títulos no valor de US$ 350 milhões, enquanto Embraer e Azul renegociaram a encomenda de jatos, reduzindo o número de unidades pela metade.
Outras empresas também movimentaram o mercado. A Rede D’Or anunciou nova emissão de debêntures, a Guararapes aprovou aumento de capital de R$ 1 bilhão e a WEG concluiu a compra da Tupinambá Energia, reforçando a atuação em mobilidade elétrica.
O que fica para a virada
A semana mostrou que, mesmo com a liquidez reduzida, o mercado continua sensível a sinais políticos e atento à consistência dos fundamentos. A inflação sob controle é um bom ponto de partida, mas não suficiente para garantir um ciclo de cortes mais agressivo na Selic se o ambiente político continuar instável.
Com 2026 no horizonte e o calendário eleitoral já em movimento, o investidor segue com um olho nos dados e outro nas articulações de Brasília. O recesso pode até desacelerar o noticiário, mas não desliga o radar do mercado.