Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

FED corta os juros e BC mantém a Selic em 15% diante de uma semana sem novidades

Publicado em 12/12/2025 às 19:04.

Nesta semana, encerrada hoje, sexta-feira, 12 de dezembro, os juros dominaram o noticiário, com decisões amplamente esperadas pelo mercado.

Tudo começou na quarta-feira, com as reuniões dos comitês que definem a política monetária, o Copom no Brasil e o FOMC nos Estados Unidos. Por aqui, o Banco Central preferiu manter tudo como estava, adotando um tom cauteloso. A avaliação foi de uma economia ainda aquecida, com inflação resistente e mercado de trabalho forte, fatores que segundo os membros exigem juros elevados por mais tempo. Houve, porém, uma boa notícia, as projeções de inflação para os próximos anos caíram um pouco, aproximando-se mais da meta. Isso abriu espaço para o mercado começar a consolidar a possibilidade de cortes de juros a partir de março de 2026.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve realizou o terceiro corte consecutivo, acumulando 75 pontos-base de redução no ano. O presidente Jerome Powell equilibrou o discurso, reconhecendo que a economia americana está desacelerando, mas com inflação ainda acima do desejado. Ele evitou compromissos firmes, reforçando que as próximas decisões dependerão dos dados. O comitê teve divergências internas, sinal de que não existe consenso sobre o ritmo dos cortes. No geral, foi uma decisão que não assustou ninguém, mas manteve certa névoa sobre o caminho à frente.

Como o mercado reagiu?

Apesar do tom conservador do BC, o dólar caiu, fechando a semana em torno de R$ 5,40, ajudado por fluxos de investimento que aproveitam os juros altos brasileiros. Dados como as vendas no varejo surpreenderam positivamente, crescendo mais do que o esperado em outubro, o que sugere que a economia ainda tem fôlego, apesar dos juros altos.

Nos EUA, as bolsas subiram, os juros dos títulos caíram e o dólar global enfraqueceu. Foi uma reação de alívio. O presidente Trump até criticou, achando que o corte deveria ser maior, mas o foco agora está na sucessão no Fed, com nomes como Kevin Hassett sendo cotados para assumir. 

Antecipação eleitoral e o mercado fazendo contas

No cenário político brasileiro, que sempre respinga sobre a economia, o ministro Fernando Haddad indicou que pretende contribuir com a campanha de reeleição de Lula em 2026, mas sem disputar cargos. Lula recebeu bem o gesto, deixando o tema em aberto. Antes de qualquer mudança, Haddad prioriza avanços fiscais, como a votação na Câmara que busca cortar incentivos e benefícios, a conclusão da reforma tributária e o PL Antifacção. São peças consideradas essenciais para equilibrar o orçamento e dar mais previsibilidade ao mercado.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro acelera sua pré-candidatura à Presidência, cortejando o mercado financeiro em almoços com bancos como o UBS, prometendo uma agenda liberal "centrada", enquanto mantém tom “duro” contra Judiciário e Congresso, buscando apoios amplos, inclusive de Tarcísio, em um tabuleiro eleitoral cada vez mais dividido e fragmentado.

No balanço, essa semana mostrou que o dinheiro em jogo exige paciência, cortes de juros podem ser antecipados para janeiro de 2026, mas dependem de dados mais sólidos, particularmente não acredito nesse caminho. Para o investidor comum, é hora de observar o fluxo sem pressa e ajustar as velas conforme o vento, sem alimentar expectativas que talvez não se confirmem.

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