Como esperado essa semana tivemos o Fed, o banco central americano que dita o custo do dinheiro para o mundo inteiro, subindo juro pela primeira vez desde 2023. Tivemos o Copom, o comitê que decide a Selic no Brasil, cortando pela quinta reunião seguida. Teve Banco do Japão elevando sua taxa ao maior nível em três décadas.
Direções opostas, e o investidor brasileiro reagiu como quem ouve o noticiário internacional em segundo plano, esperando mesmo é a notificação da pesquisa eleitoral chegar no celular.
Essa foi a real medida da semana. Não foi o tamanho do corte nem a unanimidade do aperto americano. Foi o fato de que, a duas semanas da eleição mais apertada em décadas, ninguém tem paciência sobrando para gráfico de pontos.
As reuniões do Fed e Copom
O Copom levou a Selic a 13,75% ao ano, reconhecendo desaceleração mais clara da atividade e inflação cedendo, ainda acima da meta. Foi a última reunião antes das urnas, com comunicado quase copiado do mês anterior, só que com adjetivos mais suaves.
Do outro lado do mapa, Kevin Warsh, presidente do Fed, subiu o juro americano em decisão unânime e avisou que o combate à inflação segue predominando, mesmo com o petróleo dando trégua.
O diferencial de juro entre Brasil e Estados Unidos encolheu, o que deveria pesar sobre o real. Não pesou. O câmbio ignorou o recado, e tratou Copom e Fed como ruído de fundo.
O julgamento no STF
Enquanto os bancos centrais faziam seu trabalho, o Supremo protagonizou o verdadeiro evento da semana. A sessão que poderia abrir investigação contra Alexandre de Moraes terminou em pedido de vista de Flávio Dino, e a briga pública entre Moraes e André Mendonça, dois ministros que decidiram fazer da toga um palco, derrubou a confiança na Corte a um novo mínimo.
A sessão seguinte, que discutiria a conduta de Mendonça, foi cancelada sem nova data. Tradução livre, a crise não acabou, só foi guardada num armário para depois da eleição.
O Bolsa Família como ativo de campanha
Se sobrava dúvida sobre o que realmente move o mercado agora, o reajuste de 15% do Bolsa Família resolveu o dilema. O mercado prefere apostar na virada de governo do que discutir se a conta fecha.
No fim, o Real fechou a semana quase parado, o Ibovespa oscilou dentro da própria margem de erro e a única curva que realmente mexeu foi a das pesquisas, com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados.
Os bancos centrais fizeram seu trabalho. O mercado fez o dele, que é fingir que olha a Selic enquanto espera o próximo número do Datafolha de olho nas eleições.