Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Ibovespa sobe 5% enquanto o mundo precifica o risco do petróleo acima dos US$ 100

Publicado em 12/09/2026 às 07:00.Atualizado em 14/09/2026 às 18:16.

A semana começou com o petróleo ameaçando os US$ 100 e termina com ele beijando os US$ 107, mas o protagonista desta sexta foi outro. 

O CPI, índice que mede a inflação ao consumidor nos Estados Unidos, saiu hoje e confirmou o esperado, coisa rara neste mercado volátil, com alta de 0,4% no mês e 3,4% em doze meses, exatamente onde o mercado projetava. Só o núcleo, que exclui alimentos e energia e por isso pesa mais nas decisões do Fed, subiu 0,3% no mês, acima da expectativa de 0,2%.

Bastou isso para as apostas de alta de juros na semana que vem saltarem de pouco mais de 60% para cerca de 87%.

A guerra que não parou de pressionar o preço

O conflito no Oriente Médio virou o protagonista absoluto da semana. 

O Brent saiu de menos de US$ 98 na terça para US$ 107 na quinta, alta de mais de 6%, puxada por ataques recíprocos entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz e por uma nova frente dos houthis, milícia iemenita, contra instalações sauditas.

A produção saudita caiu ao menor nível desde 1990. Mesmo assim, o petróleo amanheceu em queda nesta sexta. É o mercado lembrando que preço não reage apenas ao tamanho do problema, mas também ao que já estava precificado.

O Brasil resolveu não participar da crise alheia

Enquanto o mundo reprecificava risco por petróleo e juro americano, o Brasil viveu a própria novela, blindado como poucas vezes se viu. 

O Ibovespa acumula alta superior a 6% em setembro, o dólar flertou a semana toda com os R$ 5,10, e o real figurou entre as moedas mais valorizadas do mundo. 

Nos bastidores dizem que o motivo é o conhecido trade eleitoral, com investidores interpretando o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas como uma possibilidade de mudança na condução fiscal a partir de 2027.

A AtlasIntel/Bloomberg de ontem mostrou o empate técnico com Lula, e o mercado parece ter recebido de maneira muito positiva. 

A deflação que deveria animar o mercado

O IPCA de agosto veio negativo nesta manhã, como esperado, reforçando a aposta de corte de juros de 0,25% pelo Copom, comitê que define a Selic, na quarta que vem. 

O problema é que boa parte dessa deflação tem nome e sobrenome, Itaipu. O bônus reduziu temporariamente a conta de luz e ajudou a puxar o índice para baixo.

Mesmo assim, o Ibovespa abriu no positivo e virou para o vermelho logo cedo, sinal de que o otimismo eleitoral talvez peça uma pausa antes da Datafolha, que só sai depois do fechamento e promete decidir o humor do fim de semana.

Brasília também não ficou parada

No STF, Fachin passou a semana apagando um incêndio que não acendeu sozinho, suspendendo decisões cruzadas entre André Mendonça e Alexandre de Moraes e retirando o sigilo do caso Master, com sessão extraordinária marcada para terça. 

O mercado parece ignorar essa crise, mas ela segue rendendo manchete.

Spoiler para semana que vem

A semana que vem chega carregada, com Fed e Copom decidindo juros no mesmo dia, o Banco do Japão na cola, e o STF votando o relatório do Master na terça. Falaremos mais sobre na coluna de segunda.

O mercado brasileiro segue dançando conforme a própria música, mesmo com a orquestra lá fora tocando em outro tom. Resta saber até quando a festa aguenta ignorar os escândalos e seus desdobramentos.

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