Na sexta-feira passada, o mercado celebrou o que parecia ser um passo rumo à normalização no fluxo global de energia. Os preços do petróleo caíram, e os ativos de risco ganharam força com a expectativa de que a tensão em uma região estratégica poderia estar diminuindo. No entanto, o fim de semana trouxe uma ducha de água fria.
O Irã voltou atrás e decidiu fechar novamente a rota, em resposta ao bloqueio naval mantido pelos Estados Unidos, deixando claro que não aceitará o tráfego enquanto suas próprias restrições continuarem em vigor.
A tensão subiu de tom no domingo, quando Trump acusou o Irã de violar um cessar-fogo que se encerra em 21 de abril, anunciou a apreensão de um navio iraniano e ameaçou ataques à infraestrutura do país caso Teerã não ceda às exigências americanas. Esse impasse, com o petróleo WTI subindo 5,40% (US$ 88,38) e o Brent avançando 4,88% (US$ 94,79) na abertura asiática, sinaliza que o mercado terá de reprecificar o risco, impactando inflação e expectativas de juros globais.
Agenda Econômica com Foco nos Estados Unidos
Apesar do foco nas tensões internacionais, a semana traz uma agenda econômica que não pode ser ignorada. Na terça-feira, a divulgação das vendas no varejo de março nos Estados Unidos deve trazer sinais importantes sobre a força do consumo, um dos principais motores da economia americana. Ainda na terça, a sabatina de Kevin Warsh no Congresso pode oferecer pistas sobre o direcionamento da política monetária do Federal Reserve.
Na Europa e na Ásia, indicadores de atividade econômica e inflação também entram no radar, ajudando a medir o impacto recente das tensões sobre a economia global.
Impacto no Brasil: Pesquisas Políticas, Feriado e Liquidez Reduzida
Aqui no Brasil, o cenário global se soma a um fator local que amplifica a prudência, o feriado de 21 de abril, que reduz a liquidez no mercado nesta semana. A bolsa brasileira, que já vinha de três quedas consecutivas na semana passada, fechou a sexta-feira em baixa de 0,55%, aos 195.733,51 pontos, impactada pela queda das empresas ligadas à energia.
Com o feriado limitando as negociações, a expectativa é de um mercado ainda mais cauteloso nos próximos dias, reagindo a cada notícia internacional com maior sensibilidade.
Na política pesquisas recentes, como a do Paraná Pesquisas divulgada no fim de semana, mostram um cenário eleitoral acirrado, com Flávio Bolsonaro à frente em um eventual segundo turno contra Lula (48,1% a 40,3%) e empate técnico no primeiro turno.
Conectando esses fatores, a semana se desenha como um período de ajuste. A reversão no cenário geopolítico força o mercado a recalibrar expectativas, enquanto a agenda econômica ajuda a balizar o caminho dos juros. No Brasil, a combinação de liquidez reduzida e ruído político tende a exigir ainda mais cautela do investidor e assim nos faremos nos próximos dias.