Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Natal Encurta a Semana, mas o Cenário para 2026 Começa a Se Desenhar

Publicado em 22/12/2025 às 10:11.
 (FOTO: MAURICIO VIEIRA / JORNAL HOJE EM DIA)
(FOTO: MAURICIO VIEIRA / JORNAL HOJE EM DIA)

A semana é mais curta por causa do Natal, mas há indicadores chave no Brasil e nos EUA que merecem atenção.

Emendas Parlamentares: a Moeda da Governabilidade

O Congresso fechou o ano aprovando o orçamento para 2026, com um superávit primário previsto de R$ 34,5 bilhões, só um pouquinho acima da meta de R$ 34,3 bilhões, que representa 0,25% do PIB. Isso significa que o governo planeja gastar R$ 6,543 trilhões, incluindo R$ 61 bilhões para emendas parlamentares, um aumento de 21% em relação a 2025. Essas emendas terão liberação mais rápida no primeiro semestre, especialmente por ser ano eleitoral.

Mas nem tudo é calmaria. O governo pretende vetar ou bloquear emendas extras aprovadas de última hora para proteger verbas de políticas sociais. Além disso, o ministro do Supremo, Flávio Dino, suspendeu parte de um projeto que revivia as “emendas de relator”; conhecidas como orçamento secreto. 

Essa suspensão é temporária e vai para votação no STF em fevereiro. Enquanto isso, relações entre governo e Congresso mostram sinais de melhora, com telefonemas de Lula para líderes e nomeações que reaproximam aliados.

Esses ajustes no orçamento e as disputas políticas pesam diretamente para o dia a dia econômico, influenciando como o dinheiro público é gasto e como isso afeta a estabilidade do país e as perspectivas futuras.

Agenda Econômica destaca Inflação, Arrecadação e Inadimplência

Passando para os números que mexem com o bolso, amanhã sai o IPCA-15 de dezembro, uma prévia da inflação oficial. A expectativa é de alta para 0,25%, puxada por preços de passagens aéreas, contra 0,20% em novembro. Isso pode reforçar se o Banco Central vai cortar a Selic só em março. O Santander, por exemplo, revisou para baixo suas projeções de inflação: 4,3% para este ano e 3,8% para 2026, graças a um câmbio mais favorável e commodities estáveis.

Hoje, o Boletim Focus traz expectativas do mercado, e a Receita Federal divulga a arrecadação de novembro, prevista em R$ 224,2 bilhões. Na sexta, pós-Natal, vem a nota de crédito com dados de inadimplência.

Do lado internacional, a agenda dos EUA é parecida. Amanhã, o PIB do terceiro trimestre inclui o Índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal (PCE), um medidor de inflação que reflete os padrões de consumo. O mercado aposta 80% em pausa nos cortes de juros do Fed em janeiro, mas 20% ainda veem chance de redução.

A Sombra das Eleições de 2026

Por fim, o cenário político segue agitado. Jair Bolsonaro deve dar entrevista amanhã, o que pode fortalecer os apoios para 2026, como a candidatura à presidência de Flávio Bolsonaro em detrimento a Tarcísio de Freitas. Isso mexe com o humor do mercado, que tem reagido de maneira intensa a pesquisas e instabilidades. Que o Natal traga, serenidade nas incertezas e saúde para atravessar os próximos movimentos do mercado e da vida. Feliz Natal e Boas Festas.

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