Ormuz vive fechando e abrindo dependendo de quem fala primeiro. O mercado já sacou o contexto e parou de dar atenção para esse teatro de ameaças repetidas. O que de fato vai mexer no bolso essa semana pode não estar no noticiário de guerra. Está espalhado em um calendário cheio, entre balanços trimestrais e uma pilha de indicadores prontos para dizer se a inflação ainda incomoda ou já virou assunto do passado.
CPI (Índice de Preços ao Consumidor) Dita o Ritmo da Semana
Amanhã sai o índice de preços ao consumidor americano, e é curioso como um único número consegue ter mais poder sobre o real do que qualquer coisa que aconteça no Congresso brasileiro essa semana. O CPI de terça-feira não é só o termômetro da inflação nos Estados Unidos. É o gatilho que decide se o Fed segue com discurso duro por mais tempo ou se abre uma oportunidade para afrouxar o tom, e essa oportunidade, por menor que seja, tem efeito direto sobre o câmbio no mundo inteiro, inclusive aqui.
Petróleo Já Esta na Conta
O detalhe que ninguém quer admitir em voz alta é que o próprio conflito entre Estados Unidos e Irã já entrou na conta antes mesmo do “IBGE” americano abrir a planilha. Petróleo mais caro empurra custo de transporte, empurra energia, empurra praticamente tudo que anda de caminhão ou avião. Se o CPI vier acima do esperado, o mercado vai ler isso como sinal de que a inflação americana não é mais só resíduo de tarifa e cadeia de suprimentos. Aí o Fed fica sem espaço para cortar juro, os Treasuries sobem ainda mais, e o dólar se fortalece globalmente. Más notícias para moeda emergente, real incluído.
Se vier fraco, o mercado vai comprar a narrativa de que o repasse ainda não aconteceu, ou que a demanda americana está fraca o suficiente para absorver o choque sem repassar preço. Nesse cenário o dólar perde força, e o real, que andou se apoiando em fluxo de capital estrangeiro mesmo com o Ibovespa sofrendo, ganharia um alívio extra.
Galípolo e a Importante Reunião com o Ministro da Fazenda
No meio disso tudo, o presidente do Banco Central se encontra com o ministro da Fazenda e o secretário-executivo da Pasta. O diretor de Assuntos Internacionais faz sua rodada trimestral com economistas em São Paulo, sem manchete, sem holofote, mas com peso suficiente para definir o tom da comunicação monetária das próximas semanas. E isso importa ainda mais num momento em que a Selic em 14,25% já virou bandeira de campanha antes mesmo da eleição engrenar de verdade.
Pesquisas Eleitorais
As pesquisas eleitorais seguem acontecendo, a BTG Pactual/Nexus divulgada hoje não trouxe surpresa, Lula segue na frente, 40% a 34% no primeiro turno, 47% a 44% no segundo, um cenário que o mercado já vinha precificando havia semanas. O detalhe é que esse conforto de "já sabíamos" tem data de validade curta. O importante agora é seguir atento para enxergar com antecedência o aumento do peso das eleições na tomada de decisão do mercado. Quanto mais proximo de outubro, menos espaço sobra para tratar eleição como ruído de fundo e mais ela vira variável de peso na conta de qualquer investidor.
Seguiremos atentos a todos esses movimentos.