A semana começou prometendo volatilidade e cumpriu. Segunda já avisava que tudo dependeria do PLOA, do PIB, Jolts, ADP e payroll fechando hoje, sexta, o dado mais aguardado. Pois bem, o payroll chegou e lembrou todo mundo de que o resto do mundo existe, inclusive quando o assunto por aqui é eleição e o STF.
O ADP mostrou apenas 38 mil contratações privadas, abaixo do esperado. O payroll surpreendeu ao contrário, 162 mil vagas criadas, quase o triplo da expectativa de 56 mil.
O desemprego ficou em 4,1%, dentro do esperado, mas o que chamou atenção foi a revisão de julho, que tinha saído negativo em 21 mil vagas e virou um ganho de 23 mil.
Os salários subiram 3,1% em doze meses, acima da previsão. O mercado de trabalho americano não está fraco, está de resguardo, e isso muda a conversa sobre os juros do Fed, banco central americano.
Christopher Waller tentou acalmar os ânimos
Na quinta, Christopher Waller, dirigente do Fed, tinha acalmado os ânimos ao defender uma chance à desinflação antes de subir os juros em setembro.
Funcionou por um dia, as apostas em alta caíram de 63% para 50% e Wall Street subiu mais de um por cento. Bonito enquanto durou.
A eleição continua fazendo barulho
Aqui vale desfazer um mito. O trade eleitoral não é torcida disfarçada de índice para um lado vencer o outro, é expectativa de que uma corrida mais disputada reduz a ambiguidade política e aumenta a chance de qualquer lado entregar compromisso fiscal mais firme em 2027.
O Datafolha confirmou empate técnico no segundo turno, vantagem de só dois pontos, e trouxe um dado incômodo para os dois candidatos, Augusto Cury saltou para terceiro lugar, sinal de gente cansada da polarização. Para o mercado, o importante não é gostar ou não do candidato. É entender o que cada cenário significa para gasto público, dívida, juros, câmbio e confiança. E é justamente aí que o PLOA entra na história.
O fiscal continua sendo o elefante na sala
Enquanto o mercado discutia pesquisa eleitoral e payroll, o orçamento continuava mostrando que a conta de 2027 será tão importante quanto a disputa pelo Planalto.
O problema fiscal brasileiro não desaparece porque o PIB cresce, a bolsa sobe ou o dólar recua. Pelo contrário. Quanto mais o mercado percebe que a trajetória da dívida continua exigindo juros elevados para ser financiada, maior fica a sensibilidade dos ativos brasileiros a qualquer ruído político.
O PIB veio melhor do que alguns esperavam e ajudou a afastar, pelo menos por enquanto, o fantasma de uma desaceleração mais forte. Mas crescimento também significa uma pergunta incômoda: será que o governo conseguirá transformar atividade econômica em melhora estrutural das contas públicas?
O mercado, como sempre, quer a resposta antes de todo mundo.
O escândalo que talvez faça bem
A crise entre ministros do STF, com Moraes e Mendonça trocando acusações públicas em torno do caso Vorcaro, parece só desgaste institucional, mas carrega outra leitura. Pela primeira vez em muito tempo, um escândalo de bastidor não fica abafado, vira disputa pública entre os próprios ministros.
Se a apuração seguir até o fim, sem tratar proximidade com o poder como imunidade, podemos estar diante de uma possível iniciativa de moralização dos poderes.
A lição da semana é simples e incômoda, o mercado adora uma narrativa, mas nem sempre ela é única. Agora, vamos para o feriado de 7 de Setembro.