O fim de semana teve muito ataque e nenhuma solução, e o mercado começou a semana pagando por isso. O Brent voltou para cima de US$ 90 depois de subir mais de 14% em uma semana, e de repente todo mundo que achava que a inflação já tinha sido controlada, e precificada lembrou que existe uma variável chamada Oriente Médio.
Estados Unidos e Irã completam nove noites seguidas de ataques, e o cessar-fogo do mês passado hoje não vale quase nada na prática. Teerã já avisou que não pretende mais respeitar o acordo provisório, Washington cancelou licenças de exportação e bloqueou portos iranianos, e o Estreito de Ormuz virou moeda de troca em vez de rota livre. Enquanto isso, Trump preferiu ficar em silêncio a admitir que não tem um plano claro para o conflito.
O Fed e sua Perspectiva
Depois de um mês em que os dados de inflação nos Estados Unidos finalmente davam um alívio, o petróleo aparece para estragar tudo, bem na hora em que o mercado tinha decidido comemorar. Quando o petróleo sobe, aumenta o custo de combustíveis, transporte e produção. Se esse movimento persistir, parte dessa pressão acaba chegando aos índices de inflação, exatamente o que os bancos centrais tentavam evitar. Com o barril subindo mais de 20% só em julho, o mercado voltou a reduzir as apostas de cortes de juros para setembro e outubro, e o discurso do Fed já mostra isso. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, resumiu o clima ao dizer que a inflação ainda está alta demais, frase que não deixa espaço para otimismo antecipado.
A Selic Também Sentiu o Cheiro de Gasolina
Por aqui, o efeito é rápido. A curva de juros abriu forte na sexta, e não foi só por causa do petróleo. Uma reportagem mostrando que a Fazenda anda visitando a Faria Lima
para tentar acalmar investidores sobre as contas públicas ajudou a piorar o clima. Com geopolítica e desconfiança fiscal juntas, o resultado é um Copom com menos espaço
para cortar juros, justamente na semana em que Galípolo vai à Expert XP tentar convencer o mercado do contrário.
Tarifa Nova, Mesmo Roteiro
A disputa comercial com os Estados Unidos segue seu caminho, como se o mundo já não tivesse assunto suficiente. Uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros está a caminho, agora com a justificativa de insumos ligados a trabalho forçado, e ainda não se sabe se ela vai se somar aos 25% que já valem. O Brasil recusou as exigências americanas por considerar que elas atingem setores estratégicos, o que na prática quer dizer que a negociação continua travada.
Wall Street Também Deu Sinais de Cansaço
O petróleo não é o único problema para essa semana. O mercado de tecnologia voltou a se perguntar se o investimento bilionário em inteligência artificial vai realmente compensar. Os próximos balanços das gigantes de tecnologia serão o primeiro grande teste para saber se o ritmo de investimentos em IA continua justificando os múltiplos elevados das ações.
Semana Cheia, Paciência Curta
Além da guerra, a semana ainda traz decisão de juros do Banco Central Europeu, balanços de gigantes americanas como Google, Tesla e IBM, início das convenções dos partidos para escolher candidatos às eleições de outubro, e a divulgação de um relatório do governo brasileiro que mostra como andam as contas públicas e pode mexer outra vez com o humor do mercado sobre esse tema. É muita coisa para um mercado que já está nervoso com o básico, por isso em semanas como esta, errar a direção costuma custar menos do que errar o tamanho do risco.