Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Pressão geopolítica na Venezuela e Payroll nos EUA são os destaques da semana

Publicado em 05/01/2026 às 10:34.

Hoje, o cenário global está agitado com eventos que vão desde crises internacionais até indicadores econômicos decisivos e desta vez, a América Latina está no radar.

Crise na América Latina: o petróleo no centro das atenções
O mercado amanheceu com os olhos voltados para a Venezuela, onde uma operação militar relâmpago resultou na captura do presidente do país. Apesar da gravidade do evento, o impacto imediato no preço do petróleo foi contido. Dados mostram que a produção venezuelana, hoje, representa apenas 1% do total global, um tombo significativo se comparado aos 8% que o país detinha na década de 1970. A Opep+, por sua vez, decidiu manter a produção estável, o que ajuda a evitar grandes oscilações no preço da commodity. Isso significa que, por enquanto, o barril de petróleo não deve ser o vilão da semana, mas a cautela permanece, já que os desdobramentos políticos podem trazer surpresas.

Essa estabilidade relativa no petróleo contrasta com a tensão política que se espalha pela América Latina. A ação militar na Venezuela levanta debates sobre soberania e interesses econômicos, especialmente porque os Estados Unidos sinalizaram que a exploração das reservas venezuelanas será um pilar para financiar um governo de transição. Aqui no Brasil, alguns analistas acreditam que a operação pode reforçar a percepção de que a região caminha para maior liberdade econômica, o que poderia atrair capital estrangeiro e, quem sabe, aliviar a pressão sobre os juros locais.

Olhando o mundo: tecnologia e conflitos no radar 
O setor de tecnologia está em foco, com destaque para os discursos de CEOs de gigantes como Nvidia e AMD, que podem influenciar as expectativas para o mercado de chips. Já na Europa, indicadores como o CPI de dezembro e o PMI composto devem trazer pistas sobre a saúde econômica do bloco. 

Além disso, conversas sobre um plano de paz entre Ucrânia e Rússia, marcadas para esta semana em Paris, adicionam mais um elemento de incerteza ao mercado global. Embora distantes, esses conflitos têm o poder de mexer com commodities e índices de risco, impactando indiretamente os negócios por aqui. 

Agenda econômica da semana
Passando do campo geopolítico para os dados concretos, esta semana está carregada de indicadores que prometem mexer com as expectativas dos investidores. Na sexta-feira, teremos o payroll dos Estados Unidos, um relatório crucial sobre o mercado de trabalho que pode sinalizar os próximos passos do Federal Reserve em relação aos juros americanos. A aposta majoritária é de que não haverá mudanças na taxa agora em janeiro, mas declarações recentes de dirigentes do Fed sugerem que cortes podem vir mais adiante, caso a inflação continue a dar sinais de alívio.
Por aqui, o IPCA de dezembro, também na sexta, será o grande destaque. Ele vai mostrar se a inflação segue pressionada, especialmente no setor de serviços, ou se há espaço para o Banco Central pensar em cortes na Selic, embora o consenso aponte que isso só deve acontecer de março a diante. Esses números são um termômetro importante para entender o humor do mercado, nesse início de janeiro. 

No fim das contas, janeiro começa com ruído suficiente para exigir atenção redobrada. Em um ambiente assim, os investidores reagirão às manchetes, mas a leitura fria dos dados será essencial para entender a volatilidade que esse cenário pode trazer.

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