Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Queda nas reservas de petróleo reacende temor inflacionário global

Publicado em 11/05/2026 às 10:15.

A semana começou com o mercado financeiro sob forte impacto da escalada do petróleo, que subiu mais de 3% na noite de domingo, levando o Brent a US$ 104 por barril. Esse movimento, desencadeado por tensões geopolíticas no Oriente Médio após a rejeição de propostas de paz, reacende preocupações sobre inflação global e pressiona as expectativas para decisões de política monetária.

Reservas globais de petróleo em queda acelerada

Os dados mais recentes mostram um cenário crítico para o abastecimento de energia. Os estoques mundiais de petróleo diminuíram em 4,8 milhões de barris por dia entre março e abril, a maior redução já registrada. Esse ritmo acelerado consome as reservas estratégicas que protegem contra choques de oferta, deixando o mercado exposto a riscos de interrupções. Países dependentes de importação no sudeste asiático enfrentam ameaças de escassez nas próximas semanas, enquanto na Europa os níveis de querosene de aviação estão em patamares alarmantes. A normalização, mesmo em um cenário otimista, pode levar meses, segundo análises do setor.

Inflação volta ao centro do debate

A alta do petróleo traz a inflação de volta ao centro das atenções. No Brasil, o IPCA de abril, que será divulgado amanhã, deve desacelerar de 0,88% para 0,67% na margem, com algum alívio vindo de gasolina e alimentos. Ainda assim, os custos industriais e de combustíveis seguem pressionados pelo contexto global. Nos Estados Unidos, o CPI de abril, também esperado para amanhã, projeta avanço de 0,6% no índice cheio e aceleração do núcleo de 0,2% para 0,4%. Esses números são cruciais para entender se os bancos centrais manterão os juros inalterados por mais tempo, especialmente após o relatório de empregos americano da semana passada, superando as expectativas do mercado.

Mercados reagem

A abertura dos mercados asiáticos já refletiu a tensão, com recuo nos futuros das bolsas americanas e fortalecimento do dólar frente às principais moedas. A confiança que impulsionou recordes em Wall Street há poucos dias deu lugar a uma postura mais defensiva, enquanto investidores avaliam os impactos de um cenário energético instável. Setores sensíveis ao custo de energia, como transporte e indústria, sentem os primeiros efeitos, e a volatilidade deve continuar guiando as negociações.

Agenda intensa à frente

Os próximos dias trazem eventos decisivos. Relatórios sobre energia, previstos para quarta-feira, devem detalhar a situação dos estoques globais e os efeitos das restrições no Oriente Médio. No cenário local, resultados de grandes empresas do setor energético, divulgados hoje após o fechamento, são aguardados com expectativa de lucro ajustado de US$ 5,7 bilhões no primeiro trimestre, alta de 43% na comparação anual, refletindo o impacto positivo da valorização do petróleo. Enquanto isso, outros setores enfrentam desafios com juros elevados e custos crescentes, o que pode ser observado nos balanços ao longo da semana.

Essa combinação de fatores mantém o mercado em alerta, com cada dado econômico e cada notícia internacional pesando nas decisões de investimento. A energia segue como o principal motor da volatilidade, e os próximos passos dos bancos centrais serão fundamentais para definir o rumo das expectativas.

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