A semana foi marcada pela expectativa em torno dos indicadores de inflação, que mexem diretamente com as projeções de política monetária e o custo de vida. No Brasil, o IPCA de março, divulgado às 9h pelo IBGE, registrou alta de 0,88%, acima dos 0,70% de fevereiro, acumulando 4,14% nos últimos 12 meses.
O avanço foi puxado principalmente por alimentos e combustíveis, reflexos diretos dos custos logísticos e da energia impactados por instabilidades globais. Embora os núcleos da inflação mostrem alguma desaceleração, com média de 0,38% contra 0,62% no mês anterior, o dado geral preocupa.
Isso porque o aumento em itens essenciais pesa diretamente no custo de vida, sobretudo para famílias de baixa renda, e está ligado a fatores externos difíceis de controlar. Essa dinâmica sugere que a inflação pode continuar a corroer o poder de compra, pressionando o Banco Central a manter uma política monetária mais rígida, com juros elevados por mais tempo, o que pode frear o crescimento econômico e impactar investimentos.
Nos Estados Unidos, o CPI de março, liberado às 9h30, subiu 0,9% no mês, contra 0,3% em fevereiro, com a taxa anual avançando para 3,4%, incorporando o encarecimento da gasolina. Esses números reforçam a percepção de que o choque de energia ainda vai pesar por um tempo, mantendo os bancos centrais em alerta e os investidores cautelosos quanto a movimentos de juros.
Geopolítica com sinais mistos e ameaças veladas
Seguindo o fio das influências externas, as tensões no Oriente Médio continuam a moldar o humor do mercado. A semana foi marcada por uma mudança de postura do presidente americano, Donald Trump, que deixou de lado ameaças públicas ao regime iraniano, adotando um tom mais conciliador.
Nos bastidores, há relatos de que ele pressionou aliados para reduzir a escalada militar na região, especialmente em relação a ataques ao Líbano, uma demanda central de Teerã para avançar nas negociações marcadas para este sábado em Islamabad. Ainda assim, a estabilidade está longe de garantida, com o Irã mantendo o controle do estreito e até discutindo pedágios para navios, o que sustenta riscos ao fluxo de petróleo.
Essa incerteza mantém a commodity em patamares elevados, com o Brent fechando a US$ 95,92, impactando diretamente os custos globais de energia possivelmente ainda por um tempo considerável.
Mercado local rindo à toa
No cenário doméstico, os pregões da semana refletiram esse equilíbrio delicado entre otimismo e cautela. Hoje, o principal índice da bolsa brasileira bateu recorde histórico, fechando a 197.323 pontos, com alta de 1,22% no dia. O dólar também recuou, marcando R$ 5,0037, o menor nível em dois anos, impulsionado por entradas de capital estrangeiro.
No entanto, os juros futuros mostraram moderação, com o contrato para janeiro de 2027 fechando em 14,060%, sinalizando que o mercado não se entrega totalmente à esperança de um cessar-fogo duradouro. O risco de reviravoltas nas negociações internacionais pesa, lembrando a todos que os ganhos recentes podem ser revertidos rapidamente.
Essa relação otimista e a entrada de fluxo estrangeiro também passam pelo ambiente de juros elevados. Com a inflação ainda pressionada e sem sinalização de cortes relevantes no curto prazo, o Brasil segue oferecendo um diferencial de taxa atrativo. Nesse contexto, o investidor estrangeiro aceita assumir mais risco em busca de rentabilização, aproveitando estratégias de carry trade e o carrego elevado, mesmo diante das incertezas.