Rafa AnthonyTrader de dólar há 10 anos, professor e especialista em Market Profile, uma poderosa ferramenta de análise do mercado

Semana encurtada pelo feriado, Petróleo a US$ 115 reacende o risco global

Publicado em 30/03/2026 às 12:10.

Com o feriado da Sexta-Feira Santa fechando as bolsas no Brasil, Europa e Estados Unidos, a semana fica mais curta, mas não menos relevante, com uma agenda cheia de indicadores que podem mexer com as expectativas dos investidores.

No Brasil, os dados do Caged, que mostram a criação de empregos formais, são esperados para amanhã, com projeção de 269 mil novas vagas em fevereiro. Esse número é um termômetro da saúde do mercado de trabalho e influencia diretamente as decisões do Banco Central sobre a Selic. Além disso, a produção industrial de fevereiro, divulgada na quinta-feira, será outro indicador crucial para entender se a economia mantém o ritmo ou dá sinais de desaceleração. Um resultado fraco pode reforçar a cautela do mercado quanto a cortes de juros em abril.

No cenário internacional, os Estados Unidos trazem uma bateria de dados do mercado de trabalho, com destaque para o relatório Jolts de amanhã e o payroll de março na sexta-feira, que projeta a criação de 48 mil postos. Esses números são acompanhados de perto, pois impactam as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve, que, por sua vez, influencia o dólar e seu fluxo global, já que uma menor taxa de juros na maior economia do mundo estimula investidores migrarem seus investimentos a mercados emergentes como o brasileiro.

Petróleo e Inflação: O Risco que Não Sai do Radar
Um dos maiores desafios para os mercados globais continua sendo a escalada dos preços do petróleo. Na abertura dos pregões asiáticos, o Brent já rompia a marca dos US$ 115 por barril, refletindo as tensões geopolíticas. Estimativas apontam que esse choque pode elevar a inflação global em até 0,8 ponto percentual no cenário base, chegando a 2 pontos em um quadro mais adverso.

Essa dinâmica se reflete na curva de juros doméstica. Na sexta-feira passada, os contratos de DI para janeiro de 2027 fecharam em 14,395%, um leve aumento em relação ao ajuste anterior, mostrando que o mercado precifica taxas mais altas no curto prazo. As apostas para a reunião do Copom em abril indicam 40% de probabilidade de corte, ou 30% de chance de manutenção da Selic, um sinal de que os investidores estão divididos sobre o impacto desses riscos externos. 

A alta do petróleo também pressiona os vencimentos de curto prazo, embora o fluxo de capital estrangeiro para a renda fixa brasileira tenha ajudado a suavizar os efeitos na ponta mais longa. 

Medidas Domésticas para Conter o Impacto
Internamente, o governo busca amortecer os efeitos desse cenário global. Uma das ações em discussão é a prorrogação do subsídio ao diesel, com uma subvenção que pode chegar a R$ 1,20 por litro, sendo R$ 0,92 custeados pela União. Essa medida, inicialmente temporária, visa conter o impacto do petróleo nos custos de transporte e logística, que afetam diretamente o preço final de bens essenciais. Além disso, há esforços para evitar reajustes ainda maiores na conta de luz, com a liberação de até R$ 7 bilhões em crédito via BNDES para distribuidoras de energia, focando nas regiões mais impactadas por aumentos recentes. 

Outro ponto de alívio é o anúncio da Aneel de que não haverá cobrança de tarifa extra nas faturas de energia em abril. No entanto, especialistas alertam para a possibilidade de taxas adicionais na segunda metade do ano, devido ao período seco. Essas iniciativas mostram uma tentativa de equilibrar os impactos externos com a realidade doméstica, mas também deixam claro que as soluções são paliativas enquanto o cenário global não se estabiliza.

Para quem acompanha o mercado, seja investidor ou apenas alguém preocupado com o custo de vida, o momento não é apenas de atenção, mas de leitura cuidadosa dos sinais, já que o cenário segue sensível e sujeito a mudanças rápidas. 

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