A semana inteira foi sobre o mesmo homem mudando de ideia em horas. Segunda ele dizia que Netanyahu não tinha escolha. Quinta ele cancelou os próprios ataques e anunciou que fechou um acordo com o Irã. No meio do caminho, o petróleo bateu 95 dólares, o CPI veio em linha, o PPI surpreendeu pra cima, e os juros brasileiros flertaram com 15%. Tudo isso em quatro dias. E na sexta o mercado decidiu, com a mesma euforia de quem apostou na escalada, que agora é hora de apostar no corte de juros.
A virada que ninguém pediu, mas todo mundo aceitou
O Irã não confirmou nada. Israel também não. O que existe é um post de Trump dizendo que o acordo "será assinado provavelmente no fim de semana", baseado em conversas que nem Washington nem Teerã divulgaram. Mas o Mercado, que passou a segunda-feira inteira precificando escalada, chegou à sexta-feira precificando o contrário.
Petróleo derreteu mais de 4%, dólar fez mínima. Tudo no peito, como tem acontecido nas últimas semanas.
A Selic dá meia volta em 48 horas
Até quarta-feira, o mercado discutia se o Banco Central, na próxima semana, manteria os juros parados ou até subiria mais. Hoje, com o petróleo caindo, a probabilidade de corte de 0,25 ponto voltou a crescer, mas a manutenção da Selic continua sendo o cenário mais provável para os investidores. Isso acontece porque há dados mostrando que a economia segue forte e que a inflação que mais preocupa o BC ainda permanece elevada. Ou seja, o petróleo em queda dá fôlego à aposta em corte, mas ainda não é suficiente para mudar o cenário-base.
O Fed também relaxou, um pouco
Durante a semana, o Mercado chegou a discutir menos cortes de juros e um Fed mais duro por mais tempo. Mas o CPI (índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos) veio em linha com o esperado, e a sinalização de acordo no Oriente Médio fez os investidores recuarem dessas apostas. A chance de o Fed subir os juros em outubro caiu, e o debate voltou a se concentrar em dezembro. Com isso, Wall Street fechou a semana em festa, com Dow, S&P e Nasdaq subindo forte, recuperando boa parte das perdas recentes das ações de tecnologia ligadas aos microchips.
SpaceX deu o tom da euforia e trouxe o primeiro trilionário da história
No meio da geopolítica, a SpaceX estreou na Nasdaq avaliada em 1,77 trilhão de dólares, o maior IPO da história, superando a Saudi Aramco. A ação abriu com alta de 11% e fechou o dia subindo ainda mais, levando o valor de mercado da empresa a passar de 2 trilhões de dólares.
Com isso, Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história, com fortuna estimada acima de 1 trilhão de dólares, mais que o dobro da soma dos dois bilionários seguintes na lista global.
O Ibovespa surfou nessa onda e encerrou a semana acima dos 171 mil pontos, depois de oito semanas amargas.
A conta que ficou pra trás
Enquanto o mercado celebrava petróleo em queda e juros derretendo, o Senado aprovou as pautas-bomba, com impacto fiscal estimado acima de 200 bilhões de reais. A equipe econômica fala em veto e até STF, mas o Congresso seguiu irredutível durante toda a semana.
Esse risco não tem gráfico em tempo real, mas, em algum momento, pode refletir nos preços dos ativos.
E assim a semana terminou com Trump dizendo que resolveu a guerra e o mercado aplaudindo de pé, mesmo sem o Irã ter dito uma palavra. Se segunda-feira o acordo for confirmado, ótimo. Se não, já sabemos como essa história se repete. Porque o mercado raramente espera os fatos. Primeiro ele negocia a narrativa e só depois descobre se ela era verdadeira.