Toda Superquarta promete emoção, mas essa consegue ser especialmente inconveniente. Na Quarta-feira enquanto o Fed prepara uma alta de juros, o Copom, comitê que define a Selic no Brasil, caminha satisfeito para um corte.
O mundo decide fechar a torneira do crédito e o Brasil resolve abrir mais uma, sozinho. Será que é coragem ou timing perfeito, o mercado ainda não decidiu, por isso teremos uma semana com promessa volatilidade.
O corte já contratado
O corte de juros desta quarta no Brasil já está praticamente contratado. Das 78 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 75 esperam redução de 0,25 ponto na Selic, para 13,75%, embalada pela deflação de agosto, a maior para o mês em quatro anos.
O Fed não facilita a vida de ninguém
O Fed, banco central americano, chega à Superquarta pressionado por um CPI, índice de preços ao consumidor, mais quente que o esperado, com o núcleo subindo 0,3% em agosto puxado pelo choque de energia.
A aposta de alta de 0,25 ponto, para 3,75% a 4,00%, já passa de 90% no mercado futuro, depois que bancos como Citi, Goldman Sachs, JPMorgan e Wells Fargo revisaram as projeções para um tom mais hawkish, expressão para banco central inclinado a apertar os juros.
Só que a alta em si já virou detalhe, o que o mercado realmente quer saber é o que o presidente do Fed, Kevin Warsh, vai sinalizar sobre o caminho daqui para frente.
Se essa alta fica isolada, como aposta a consultoria Pantheon Macroeconomics, ou se abre espaço para mais 0,75 ponto de aperto até dezembro, segundo a Capital Economics. Há ainda quem, como o banco holandês Rabobank, veja chance de o Fed adiar a decisão para outubro, por causa de um reajuste pontual na telefonia que distorceu o núcleo do CPI, particularmente não acredito que isso acontecerá e teremos sim o aumento dos juros por lá.
Ao fundo, Trump repete que os Estados Unidos deveriam ter os juros mais baixos do mundo, enquanto seu conselheiro Kevin Hassett promete apoio a qualquer decisão do Fed, mesmo sem ver necessidade técnica de alta.
Ormuz sem acordo de paz
A reunião que tentaria destravar a navegação pelo Estreito de Ormuz, corredor por onde passa boa parte do petróleo mundial, foi adiada sem nova data, e o fim de semana respondeu com mais ataques a embarcações e um oleoduto saudita fechado por precaução, com isso o Brent voltou a superar US$ 108.
O STF pode virar pauta da bolsa
A política interna também não ficou para trás. Nesta terça o Supremo julga o caso sobre as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, com transmissão ao vivo capaz de mexer com o pregão.
No fim das contas, o diferencial que sustenta a festa nos emergentes está desaparecendo na nossa frente. O diferencial de juros que ajudou a atrair capital para o Brasil começa a trabalhar na direção contrária. Com os juros americanos subindo e a Selic caindo, o carry trade perde atratividade e o fluxo pode começar a procurar novamente os Estados Unidos.
Porque capital não tem lealdade. Tem taxa de retorno.