A economia da experiência: por que as pessoas ainda saem de casa

Publicado em 06/03/2026 às 06:00.

Ana Paula Cardoso*


Durante muito tempo, sair para comer fora era principalmente uma necessidade prática. Hoje, não é mais. Em um cenário de delivery cada vez mais eficiente, aplicativos com logística rápida e cardápios acessíveis na tela do celular, a pergunta se tornou inevitável: por que alguém ainda decide sair de casa para ir a um restaurante?

A resposta está naquilo que a tecnologia ainda não consegue entregar: experiência.

O consumo de alimentos deixou de ser apenas uma transação e passou a ser um momento social. Restaurantes, bares e cafeterias passaram a ocupar um papel que sociólogos chamam de “terceiro lugar”: não é casa, não é trabalho, mas um espaço de convivência. É onde amigos se encontram, famílias celebram e relacionamentos se fortalecem.

Neste novo contexto, o diferencial competitivo deixou de estar apenas no prato. Ele está no ambiente.

Empresas do setor de alimentação perceberam que, para manter os salões cheios, é preciso oferecer algo que o delivery não entrega. Isso inclui ambientação planejada, trilha sonora adequada, eventos temáticos, música ao vivo e até experiências interativas que estimulam a permanência do cliente no local.

O mercado chama esse movimento de economia da experiência. Restaurantes que investem em atmosfera, atendimento e entretenimento conseguem transformar uma refeição comum em um evento. E eventos têm algo que o delivery dificilmente substitui: memória.

Outro movimento interessante é a chamada gamificação do consumo. Programas de fidelidade, desafios entre clientes, degustações guiadas, experiências gastronômicas temáticas e eventos especiais criam um senso de participação. O cliente deixa de ser apenas consumidor e passa a se sentir parte de algo. Isso aumenta o tempo de permanência no estabelecimento, estimula o retorno e fortalece o vínculo com a marca.

Do ponto de vista empresarial, essa transformação traz uma lição importante. Competir apenas pelo preço ou pela comida já não é suficiente. A gestão do negócio precisa considerar o ambiente como parte estratégica da operação. Iluminação, música, conforto, atendimento e programação cultural passam a influenciar diretamente o faturamento.

A tendência também conversa com uma mudança de comportamento do consumidor. Depois de anos de hiperconectividade, muitas pessoas passaram a valorizar cada vez mais experiências presenciais. Sair de casa deixou de ser apenas consumir. É viver algo que não cabe na tela.

Para bares e restaurantes, isso representa uma oportunidade clara. Negócios que entendem o valor da experiência conseguem transformar seus espaços em pontos de encontro da comunidade, fortalecendo marca, relacionamento e receita.

No fim das contas, as pessoas continuam saindo de casa pelo mesmo motivo de sempre: convivência. A diferença é que, agora, ela se tornou parte central da estratégia empresarial.

*Empresária, contadora e fundadora da Macrocont

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