A gastronomia mineira conquista o reconhecimento mundial

Publicado em 09/01/2026 às 06:00.

Lucas Costa*


A gastronomia mineira é única, o tempero é medido pela mão de quem prepara, a hospitalidade tem afetos familiares e o cafezinho acompanha a boa prosa. Talvez por isso, quando o mundo volta os olhos para Minas, o reconhecimento soe menos como surpresa e mais como confirmação.

A eleição de Minas Gerais como um dos melhores destinos gastronômicos do mundo para 2026, no ranking Best Places to Go in 2026 da Condé Nast Traveler, tem esse efeito. Coloca o estado ao lado de lugares como Hong Kong, Antuérpia, Guadalajara e a Patagônia chilena e, ao mesmo tempo, obriga a pergunta: o que muda quando o mundo passa a nos ver como destino?

Muda bastante. Porque o que está em jogo não é apenas prestígio, mas fluxo. De pessoas, de renda, de oportunidades. O turismo gastronômico é um dos motores mais consistentes da economia contemporânea justamente por exigir longas cadeias de trabalho. Quando alguém come, movimenta o trabalho de quem planta, quem produz, quem serve, quem transporta, quem hospeda. É um ciclo que começa na terra e se espalha.

Não por acaso, os símbolos destacados pelo ranking ajudam a contar essa história. O Queijo Minas Artesanal, agora reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, representa muito mais do que um produto típico. Ele sustenta famílias, preserva técnicas, valoriza tradições e conecta todo o mercado. O café mineiro segue lógica semelhante, cada vez mais valorizado pela origem, pelo método e pela tradição.

Em Belo Horizonte, a alta gastronomia deixou de ser exceção para se tornar ecossistema. Restaurantes autorais, bares criativos e cozinhas que dialogam com o popular formam hoje uma cena madura, que não renega a própria base. No interior, Tiradentes consolida o turismo do vinho e da experiência gastronômica integrada ao patrimônio histórico, enquanto o Serro reafirma o valor econômico do saber artesanal.

Para bares e restaurantes, esse reconhecimento internacional não é ponto de chegada. É ponto de partida. Em Minas Gerais, são mais de 165 mil estabelecimentos de alimentação fora do lar, segundo a Abrasel. Cada qual possui seu jeito próprio de ser, e, com Minas Gerais na rota gastronômica internacional, a visibilidade amplia o fomento ao turismo.

O ano de 2026 promete ser promissor para o setor gastronômico mineiro. A tradição mineira deverá ser parte de uma estratégia que também demandará qualificação da mão de obra, melhoria nas infraestruturas e gestão profissional dos bares e restaurantes. Isso porque ser eleito um dos melhores do mundo exige que a entrega esteja à altura da indicação.

*Jornalista da Abrasel Nacional

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