Tendências gastronômicas: o que está em alta nas mesas brasileiras

Publicado em 12/12/2025 às 06:00.

Rubens de Avelar Freitas*

A mesa brasileira vive um daqueles momentos em que tradição e novidade caminham lado a lado. Em cada esquina, feiras, restaurantes e até cozinhas domésticas revelam um país curioso, mais atento ao que come e disposto a experimentar. 

As tendências que surgem não são apenas modismos; elas contam um pouco sobre como estamos olhando para o nosso próprio território e para o mundo. Uma das ondas mais fortes do momento é a valorização dos ingredientes locais. Raízes como mandioca, inhame e ora-pro-nóbis aparecem em versões repaginadas, ocupando o espaço que antes era dominado por produtos importados. 

A redescoberta de temperos regionais, como o jambu e a pimenta-de-cheiro, reforça um sentimento de identidade culinária que vem crescendo nos últimos anos. Os pratos mais leves e funcionais também ganharam protagonismo. Depois de um período em que a praticidade era prioridade absoluta, o brasileiro tem buscado equilíbrio: refeições rápidas, mas nutritivas.

Saladas completas, grãos integrais e proteínas preparadas com técnicas simples vêm conquistando espaço, especialmente entre quem tenta conciliar rotina agitada e bem-estar. Ao mesmo tempo, a cozinha afetiva continua firme. Receitas de família voltaram ao centro das mesas, mas agora com um toque de personalização. 

Aquele bolo da avó pode surgir com novos recheios; o feijão de todo dia recebe temperos inusitados; o frango ensopado ganha versões mais aromáticas. É como se o país buscasse conforto sem abrir mão da criatividade. 

Outra tendência que se fortalece é a mistura de influências internacionais com sotaque brasileiro. A pizza recebe bordas recheadas com queijos da serra da Canastra, o sushi incorpora frutas tropicais e a culinária mexicana encontra o tempero mineiro ou nordestino. É a globalização traduzida para o nosso paladar. 

No universo das bebidas, o movimento não é diferente. Cafés especiais, kombuchas artesanais e drinques autorais mostram que o consumidor está mais aberto a explorar sabores e a valorizar pequenos produtores. 

O que todas essas tendências revelam é uma mudança de olhar: cozinhar e comer não são apenas hábitos, mas formas de expressão e de conexão. O brasileiro está mais consciente, mais curioso e, acima de tudo, mais disposto a celebrar sua diversidade gastronômica. Em um país tão grande e tão múltiplo, é natural que novas influências continuem surgindo. Mas, ao observar o que já está sobre a mesa, fica claro que a verdadeira tendência é uma só: descobrir o Brasil por meio dos sabores que ele tem a oferecer.

*Gastrólogo e professor especialista em gastronomia e estudos da culinária

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