Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

A definição de Zema e as consequências para a candidatura de Mateus Simões

Publicado em 06/02/2026 às 06:00.

No estratégico e indefinido tabuleiro eleitoral mineiro, dentre as muitas peças a serem definidas nas próximas semanas, a definição final de Zema na sucessão presidencial terá representativos impactos na sucessão mineira, principalmente para a candidatura do seu atual vice Mateus Simões.

Óbvio ululante que pelos números das pesquisas atuais, faltou até o momento sucesso ao marketing utilizado por ambos. Em relação à Zema, tem rodado bem o país. Conforme matéria da Itatiaia, “mais de um quarto de todos os compromissos em que ele representa o Executivo Estadual foram feitos em locais além da divisa mineira”. Fora as muitas entrevistas a veículos de comunicação de circulação nacional. 

Pela recente pesquisa divulgada pelo Instituto Paraná Pesquisas, Zema possui apenas 2,8%, sendo que na disputa interna do campo da direita, é superado pelo governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), com 6,5%, e pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 3,7%. Pela última pesquisa da Quaest, além de não aparecer no levantamento espontâneo, o percentual de intenção de votos nos três cenários em que aparece varia entre 2% e 5%, também o menor entre os governadores de direita que se lançaram na pré-campanha.

Em relação a Mateus Simões, não obstante a intensidade da máquina governamental a seu favor, com viagens, nomeações, ordens de serviço de obras, inaugurações, anúncios, tem amargado pontuação entre 4 e 7 pontos nas pesquisas. Assim sendo, tem crescido com grande intensidade a desconfiança no meio político de sua viabilidade eleitoral.

Nesse diapasão, os destinos de ambos estão interligados, e qualquer decisão de Zema, frente os três cenários dispostos a seguir, terá forte impacto na candidatura de Mateus Simões.

Primeiro cenário se Zema mantiver sua candidatura à Presidência. Esta hipótese hoje é a mais provável. Para a candidatura de Mateus Simões ao governo do Estado é o pior cenário. O isolamento de Zema como candidato presidencial pode colocar Simões na mesma condição. Isso porque em acordo dos dois com os respectivos partidos, Novo e PSD, na campanha o palanque de Zema presidente será o de Mateus Governador. 

Assim sendo, o PL buscará um candidato ao governo para ser o palanque de Flávio Bolsonaro e o PSD de Simões também, após definir seu candidato a presidente entre Ratinho Jr, Caiado ou Eduardo Leite. Esta hipótese, caso concretize, será o chamado “abraço de afogado” entre Zema e Mateus.

A segunda hipótese é Zema ser o candidato à vice-presidente de Flávio Bolsonaro. Assim, o palanque de Simões passa a ter a companhia de Flavio Bolsonaro presidente e sua candidatura enquadrada como de direita Bolsonarista, com potencial de dificuldades na conquista do eleitorado do centro e da centro/direita. E por consequente obrigará o candidato a presidente de seu partido, o PSD, a buscar palanque de outro candidato a governador em Minas. 

E como terceira hipótese Zema ser vice do candidato a presidente do PSD (Ratinho Jr, Caiado ou Eduardo Leite). Assim os palanques do partido estarão unificados na disputa ao governo e na de presidente, mas perderá Simões o apoio do PL, que definirá outro candidato ao governo, dentro dos seus quadros ou de outro partido. Assim terá um racha na direita, deveras negativo para Simões.

Zema e Mateus são pessoas probas e corretas. Mas na política e no ambiente eleitoral isso não é suficiente. O marketing pode tentar dourar e lapidar alguém, mas as verdades se desnudam facilmente. Como será que o eleitor de Norte a Sul analisa um vídeo em que o candidato a presidente Zema aparece comendo banana com casca? Será que a mensagem da postagem do Mateus Simões com um porrete na mão falando que Minas é um estado seguro chega bem aos mineiros?

E talvez alguém com mais capacidade analítica de psicologia possa explicar a última entrevista do Mateus Simões ao jornal Estado de Minas, em que o mesmo disse 214 vezes o pronome “Eu”, como o eu fiz, eu indiquei, eu comando, eu trouxe partidos, eu fui professor de vários políticos, e por aí vai. Pelo visto, mais um momento que mais desagrega e distancia do que ajuda a já tão difícil campanha do vice-governador.

Estará Kassab, um dos mais estratégicos dirigentes partidários do país, ainda convicto da assertividade de entregar o PSD de Minas à candidatura de Mateus?

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