Às vésperas das decisões partidárias para as composições das chapas para o governo de Minas, o dilema do PT segue com a posição interna predominante no momento pela candidatura do ex-prefeito de BH Patrus Ananias.
Patrus é umas das reservas morais da política nacional. Com um estilo do bom mineiro, indubitavelmente teria ocupado mais cargos de destaque na política brasileira pela sua capacidade e honradez, não fosse, apenas por disputa de poder, ter sofrido um brutal, injusto e nefasto processo interno beligerante e isolacionista por setores do PT de São Paulo e inclusive de Minas Gerais.
Sobre a disputa de 2026, elementos para reflexões. Será uma eleição duríssima para o governo do Estado. Um ambiente polarizado, fake news e ataques abaixo da linha da cintura indicam o que está por vir. PT e PL estarão nos focos principais, caso decidam por candidatura própria. Agendas intensas de viagens, gravações, preparação para debates, palestras, eventos, comícios, etc. Disposição e casca dura serão premissas básicas.
O PT, após frustrações com possíveis nomes, em destaque as negativas de Rodrigo Pacheco e Marília, ignora nomes de outros partidos para aliança para voltar a sua bolha interna com uma candidatura que creem salvadora. Como dito, Patrus é uma reserva moral, mas até as palmeiras da Praça da Liberdade sabem que sua candidatura tem um limite restrito na sua bolha ideológica. Tipo uma candidatura exclusiva aos convertidos e militância. Distância da perspectiva real de poder para recolocar Minas no cenário nacional e melhorar a qualidade das políticas públicas.
E causou estranheza junto a direções do MDB, do PDT e do PSB que a recente pesquisa contratada pela direção estadual do PT e levada para a cúpula nacional do partido mediu apenas o potencial de Patrus sendo apoiado por Lula, ignorando e omitindo o potencial de Gabriel, Kalil ou Jarbas também apoiados por Lula. Direcionamento ou mero esquecimento?
Explico: com candidato próprio, o PT ficará restrito na campanha na sua bolha e com limite real de crescimento. Gabriel pelo MDB e Jarbas pelo PSB tendem a ficar isolados e têm outro ponto crítico, o grande desconhecimento junto à população. E com pouco tempo na propaganda eleitoral no rádio e TV, será um dificultador para se “mostrarem” junto aos mineiros.
Kalil, não obstante o PDT não ser um partido de grande capilaridade no Estado e ter pouco tempo na propaganda eleitoral, é mais conhecido, tanto pelos mandatos como prefeito de BH, por ter sido candidato ao governo em 2022, e como dirigente do Galo. E ainda tende a receber o voto útil de eleitores da esquerda ainda no primeiro turno como o principal nome capaz de derrotar a direita no Estado.
Assim sendo, Kalil agradece ao PT de Minas e fica na torcida do PT nacional e Lula confirmarem Patrus para carimbar seu passaporte para o segundo turno.
E caso Cleitinho confirme a candidatura, sinaliza um segundo turno para o governo de Minas entre Kalil X Cleitinho.
Mas ainda há muito por vir nos próximos dias no tabuleiro eleitoral mineiro. Será que Lula, após desconsiderar Rodrigo Pacheco para o STF, o consultará sobre o processo eleitoral em Minas, na condição de senador e principal político do PSB em Minas e um dos principais do Brasil?
Emoções por vir!