'Decidi tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa', avisa Eduardo Costa, agora no União Brasil
Pré-candidato a uma vaga de deputado estadual, jornalista pretende se afastar da Rádio Itatiaia, conforme prevê a legislação eleitoral, no fim de junho, e não descarta disputar governo de Minas como vice: "posso topar"

Um dos mais renomados e respeitados jornalistas de Minas está prestes a deixar uma destacada carreira para a disputa eleitoral. Conhecedor como poucos da alma e das agruras do mineiro no seu dia a dia, deixa uma singular marca da forma cirúrgica na utilização do microfone da Itatiaia, seja nas sugestões, nas críticas ou nos elogios aos governantes e parlamentares, independentemente de filiação partidária e concepção ideológica.
Filiado ao União Brasil, se apresentará como pré-candidato a deputado estadual, mas não descarta participar em uma chapa majoritária como candidato a vice-governador, como dispõe na breve entrevista a seguir.
O que te motivou a deixar o jornalismo para entrar para a política?
Estou chegando aos 70 anos de idade, 59 de trabalho, 50 de jornalismo e 41 de Itatiaia. Tive passagens também por veículos de impresso e TV. Frequentei as mais diversas editorias, vivi coberturas emocionantes, perigosas e únicas como estar no avião que trouxe o Papa João Paulo II ao Brasil, fazendo flashes durante o voo por um telefone via satélite - fato que abre o Manual de Radiojornalismo da emissora.
Tenho orgulho de minha trajetória e já não me sinto tão desafiado; então, como sempre fui assediado para entrar na política e acabei pensando seriamente sobre essa possibilidade, decidi tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Não me interesso por Brasília, não penso em fazer carreira na política e nem tenho grandes planos – apenas quero viver a experiência de ser vidraça, pois, nas últimas cinco décadas, fui estilingue.
Como você enxerga a atual conjuntura política polarizada e os reflexos para a eleição em Minas?
A polarização é a razão de minha pretensão. Primeiro, nós, jornalistas mineiros, sofremos com a briga PT/ PSDB, que só trouxe prejuízo, principalmente para Belo Horizonte. Nos últimos anos é essa a história de Lula/ Bolsonaro. Pretendo representar o bom senso, defender o Anel Rodoviário, o metrô de BH, a duplicação da MG 424 de Pedro Leopoldo a Sete Lagoas (para diminuir os congestionamentos diários na 040), enfim, focar no que de fato interessa à população, sobretudo na mobilidade.
Mesmo colocado como pré-candidato a deputado estadual, um convite para compor uma eleição majoritária seria aceito?
Eu falei por décadas que não entraria na política e estou disposto. Não sei o que pode acontecer amanhã, mas, se vier um bom candidato a governador, cujas práticas e intenções coincidam com as minhas, posso topar.
Quero cooperar, enquanto Deus me der saúde. É uma forma de agradecer a ele por tudo que me deu: reconhecido na profissão, respeitado pelos colegas, duas filhas formadas em Medicina e a neta mais bonita do mundo.
Quando se afasta da Itatiaia e quais os planos sequentes?
A intenção é me afastar no fim de junho, como prevê a legislação, e fazer o que sempre fiz – andar por aí, cumprimentar, prosear e comunicar que há uma opção sem radicalismos, capaz de conviver com os outros parlamentares independentemente de siglas e ideologias.