Vaclav Havel pronunciou um memorável discurso intitulado “As Tentações do Poder” em maio de 1991. Intelectual dos mais respeitados e político por vocação, Havel foi um estadista de grande prestígio internacional. Foi presidente da antiga Tchecoslováquia de 1989 a 2002. Em seus escritos e suas ações sempre foi um intransigente defensor da democracia, da liberdade e dos direitos humanos.
Em seu discurso de 1991, Havel aponta três razões para o homem desejar o poder político, e conquistando-o, querer mantê-lo: primeiro o mais nobre e desejável, a luta por uma melhor ordem social, pondo em prática valores, visões de mundo e propostas, sempre na busca do interesse público e do bem comum.
O segundo, a característica presente de autoafirmação, para fortalecimento de si mesmo, com o intuito de moldar o mundo que o rodeia a sua imagem e gosto. Este tem facetas perigosas quando exercido de forma exagerada e irresponsável, podendo gerar governos personalistas, maniqueístas e intolerantes a concepções e ideias diferentes. Infelizmente e grave, esta razão tem sido prática comum mundo afora, com dolorosas consequências para esta e as próximas gerações.
Estas três razões que fundamentam o poder, conforme Havel, são constatações que estão acima de concepções doutrinárias ou ideológicas distintas, ou até do conceito ora meio esquecido e que voltou ao debate político com a forte polarização entre esquerda e direita.
Neste diapasão, duas reflexões sobre a temática, a saber: conforme o filósofo espanhol Ortega y Gasset, “ser de esquerda ou direita é uma das maneiras mais geniais inventada pelo homem de ser idiota”. E ainda do ex-prefeito de Nova Iorque, La Guardia, que “não existe varrição de rua de direita e de esquerda, existem ruas limpas e sujas”.
Teremos eleições majoritárias e proporcionais neste ano. Momento rico de reflexões acerca do nosso país e do nosso Estado. Será deveras negativo se os debates ficarem restritos a questões ideológicas sem um fim em si mesmo. Indispensáveis serão debates acerca dos reais problemas do dia a dia da população e respectivas propostas factíveis.
Por fim, queremos um verdadeiro projeto de país e para Minas que seja sustentável e factível, com vistas a um robusto desenvolvimento regional, nacional e com justiça social.