Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

Eleições 26: decisões finais para o governo de Minas e para o Senado

Publicado em 24/07/2026 às 06:00.

Já iniciado o prazo legal das convenções partidárias, mais indefinições que certezas atuais no tabuleiro eleitoral mineiro quanto às eleições majoritárias.

Quanto à eleição para governador, do campo do centro para a esquerda o quadro está mais consolidado, com as candidaturas de Patrus (PT), Kalil (PDT) e Gabriel (MDB) bem encaminhadas. Talvez o último ponto a ser definido seja em relação ao ex-procurador de Justiça Jarbas Soares, do PSB: se segue com a candidatura ao governo ou recua para uma candidatura ao Senado ou vice de alguma chapa.

Já no campo da direita, cenário bem indefinido. A única definição do momento é a candidatura à reeleição de Mateus Simões (PSD). As demais peças dependem da decisão do senador Cleitinho (Republicanos). Se confirmar a candidatura ao governo, as demais peças do tabuleiro serão definidas. Abrirá a vice para composição com alguma outra legenda ou seguirá de chapa pura do Republicanos com o ex-prefeito de Patos de Minas, Falcão? O que fará o PL?  Apoiará Cleitinho mesmo sem indicar o vice ou lançará ao governo Flávio Roscoe ou Medioli?

E se Cleitinho não sair candidato, seguramente o PL lançará algum nome ao governo dentre os dois citados acima.

Outro representativo imbróglio no campo da direita de grande impacto no tabuleiro é em relação a Marcelo Aro. Até o momento ele é pré-candidato ao Senado pela federação União - PP na chapa de Mateus Simões do PSD. O problema é que este partido tem Carlos Viana na mesma legenda e também candidato ao Senado. Legalmente sem problema, já que elegeremos dois senadores nas eleições deste ano. Mas politicamente e eleitoralmente inviável.

Aro já colocou na mesa a escolha de Sofia que Mateus Simões terá que fazer: ou tira Viana da disputa ao Senado ou Aro seguirá outro caminho, podendo aliar a Cleitinho, caso este saia candidato ou até mesmo ser candidato ao governo. E sem Aro como aliado, a candidatura à reeleição de Simões enfraquece ainda mais do que já está, não obstante a poderosa máquina governamental à disposição. Ou seja, dificilmente passará dos dois dígitos e estará fora do segundo turno.

E indubitavelmente o xadrez da disputa governamental está diretamente ligado ao xadrez do Senado, que até o momento tem definidos como principais nomes Marília Campos e Domingos Sávio. Bem encaminhado, mas não definido, Marcelo Aro e Carlos Viana. E possivelmente Aécio Neves (PSDB) e Jarbas Soares, caso este recue da pré-candidatura ao governo.

Articulações finais em Brasília ganham intensidade e caráter resolutivo nos próximos dias. Importante para os eleitores mineiros terem o tabuleiro definido para iniciar de forma mais concreta o processo de definição do voto. Sempre bom enfatizar que o voto é uma procuração que damos a alguém para atuar em nosso nome.

Serão inúmeros e complexos os desafios dos eleitos em outubro. A gravíssima situação fiscal do Estado, a falta de diálogo dos últimos anos com o Governo federal com seus consequentes prejuízos para o povo mineiro e as ineficazes políticas públicas exigirão muito não só do governador eleito, mas dos senadores e parlamentares exitosos nas urnas em 4 de outubro.

A expectativa é a de que tenhamos eleições com debates propositivos aos temas de anseio e necessidade dos mineiros, e não meras propagandas e falas com narrativas ideológicas distantes do nosso dia a dia apenas para fomentar disputas maniqueístas e polarizadas.

Próximos dias de definições, registros das candidaturas e campanha na rua a partir de 16 de agosto!

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