Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

Eleições em Minas: não há que se falar em terceira via porque não há polarização, e sim pulverização

Publicado em 01/05/2026 às 06:00.

Ao contrário do cenário presidencial e em alguns estados - destaque para SP -, na disputa para o governo de Minas, neste momento, não faz sentido especular possibilidade de um nome viável a surpreender como uma terceira via, pelo simples fato que no momento não temos um quadro polarizado.

"Elementar, meu caro Watson", como dizia Sherlock Holmes. Para os mais distraídos, cabe esclarecer que polarização política significa dois candidatos em lados extremos com pensamentos e ideologias distintas. Sendo mais claro, na atual conjuntura política do país, seria um candidato da esquerda lulista e um da direita bolsonarista destacando nas pesquisas e descolados dos demais postulantes.

Nesse diapasão, conforme nomes colocados no momento, temos como principais nomes do campo do centro para a esquerda Rodrigo Pacheco ou Jarbas Soares, pelo PSB, e Kalil pelo PDT. No centro Gabriel Azevedo, pelo MDB, e do campo do centro para a direita um congestionamento maior: Mateus Simões do PSD, Cleitinho do Republicanos e Flávio Roscoe do PL. Claro está, portanto, que no momento atual com dois candidatos do campo da esquerda e três do campo da direita, há um cenário não polarizado, mas pulverizado.

As próximas semanas serão intensas nas articulações de bastidores. Por suposto definições do tabuleiro serão em total consonância com o cenário presidencial, com Lula e Flávio Bolsonaro por definir respectivos palanques em Minas, ou mais de um, pois a cúpula da campanha bolsonarista já manifestou a hipótese de ter dois palanques no Estado de candidatos distintos ao governo.

Ao fim e ao cabo, a única definição neste momento da eleição para o governo do Estado é a candidatura de Mateus Simões, o que “puxa pra baixo”, conforme Flávio Bolsonaro escreveu em um papel “esquecido” em uma reunião no PL nacional. 

Mateus patina nos 4% da recente pesquisa Quaest, enfrenta enorme dificuldade de crescimento, não obstante a forte máquina do Estado a seu favor. Um ingrediente a mais que o prejudica é a queda na avalição do governo, somada a fatos negativos que moldam em como a população o enxerga, como o destempero comportamental e verbal com a deputada Lud Falcão e mais recente com o prefeito de Ouro Preto Ângelo Oswaldo, no evento da Inconfidência de 21 de abril.

Cleitinho, líder das pesquisas, joga com o tempo, mas sabe da real possibilidade de perda de parte dos números da pesquisa com o transcorrer do processo eleitoral. Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, filiou ao PL como um coringa para composição como vice ou candidato ao governo pelo partido de Flávio Bolsonaro. Mesma condição do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli.

Pelo campo do centro para a esquerda, Kalil ainda não bateu o martelo, mas demonstra apetite pela disputa. A principal definição é se Pacheco pelo PSB dirá o sim definitivo para a disputa, o que indicará um movimento relevante no tabuleiro eleitoral, pelo potencial de conquista de cerca de 30% dos votos desse campo ideológico, de parte dos 32% de independentes e ainda alguns pontos da centro- direita. Se ele não vier, em aquecimento para entrar no jogo também pelo PSB o ex-procurador geral do MP Jarbas Soares, que tem atuado com firmeza nos bastidores junto a setores da sociedade civil e de movimentos sociais com vistas a se tornar mais conhecido e competitivo.

Por fim, disputa para o governo de Minas aberta, não polarizada e sim pulverizada!

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