Com certeza teremos neste ano mais uma eleição para presidente duríssima e deveras disputada, em que uma estratégia certeira e um planejamento apurado serão decisivos para dar a vitória a quem errar menos.
E Minas Gerais, na condição de Estado síntese do país, ou um micro Brasil, está no alvo estratégico dos principais candidatos para palanques fortes que garanta efetividade e capilaridade na campanha eleitoral.
Nesse diapasão, vide a seguir as principais partes do artigo publicado no Estadão do consultor político Gaudêncio Torquato, acerca do porquê Minas é considerado Estado síntese do país.
“Minas Gerais, terra das grandes ‘raposas’ da sapiência política (José Maria Alckmin, Gustavo Capanema, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, entre outros), voltará a ser, em 4 de outubro de 2026, o maior ‘termômetro’ da eleição presidencial. Não é superstição: é estatística, geografia humana e política comparada. O Estado reúne cerca de 16,5 milhões de eleitoras e eleitores – o segundo maior colégio eleitoral do País, atrás apenas de São Paulo – e, por tamanho e capilaridade, impõe uma realidade simples: quem quer vencer no Brasil precisa competir de verdade em Minas.
Há a região metropolitana de Belo Horizonte, urbana e terciária, com debates sobre serviços públicos, mobilidade, segurança, custo de vida e emprego. Há o Triângulo, conectado ao agro e à logística, atento a crédito, infraestrutura, energia e regras do jogo. Há o Sul de Minas, com economia diversificada e forte peso de valores comunitários. Há a Zona da Mata, com sua tradição industrial e universitária. E há o Norte (onde se localiza Montes Claros, cidade com mais de 400 mil habitantes, a maior da região), além dos vales, onde a agenda social, a presença do Estado e oportunidades concretas – saúde, renda, educação, água – pesam de modo decisivo. Quando uma candidatura consegue atravessar esse mosaico – sem falar para um só público – ela tende a estar calibrada para o País inteiro.
Por isso, a disputa mineira costuma revelar três coisas antes do resto do Brasil: 1) o tamanho real da rejeição, porque o eleitorado local é sensível a ‘climas’ e ao humor econômico; 2) a capacidade de uma campanha furar bolhas, já que Minas tem interior robusto e metrópole relevante; e 3) o desempenho do ‘voto útil’ e do pragmatismo: quando a eleição aperta, cresce a pressão por escolhas com aparência de governabilidade, e Minas costuma traduzir esse movimento cedo.
Em 2026, com a eleição marcada e o segundo turno previsto para 25 de outubro, a tendência é Minas virar prioridade desde a largada: mais presença física, mais alianças regionais, mais disputa de narrativas locais e menos ‘slogan nacional’ genérico. Quem tratar o Estado como um bloco homogêneo errará o alvo; quem se limitar a ‘pautas de costume’ ou a ‘macroeconomia abstrata’, também. O mineiro – como o brasileiro – vota com a cabeça e com o bolso, mas também com o senso de ordem, de pertencimento e de expectativa de futuro.
Em termos práticos, vencer em Minas significa dominar a agenda do cotidiano: inflação percebida, emprego e renda, segurança, saúde (fila e acesso), educação, infraestrutura, mineração e meio ambiente, energia e custo de serviços. Significa ainda compreender que Minas premia a moderação no tom e consistência na proposta: não basta emocionar; é preciso parecer capaz de entregar. Por isso, o Estado tende a ‘decidir’ não por misticismo, mas por lógica: se uma candidatura consegue ser majoritária na síntese, ganha musculatura para ser majoritária no todo”.