A principal peça no xadrez eleitoral de 2026 segue indefinida. Como estará o campo da direita nas eleições presidenciais de 4 de outubro?
Sem qualquer juízo de valor, a estratégia utilizada pelo ex-presidente Bolsonaro ao lançar como pré candidato o seu filho 01 foi acertada. Precisava delimitar terreno e chamar para si o que parecia perder o controle, com outros nomes da direita seguindo “soltinhos” na disputa, além de conflitos familiares entre os filhos e a esposa Michele por protagonismo eleitoral.
Assim sendo, foi uma bela tacada. Portanto, a assertividade da estratégia recuou algumas casas com a declaração do próprio Flávio Bolsonaro logo após o lançamento ao dizer em entrevista que “tem uma possibilidade de eu não ir até o fim e eu tenho um preço para isso, que eu vou negociar”. Muitos interpretaram que poderia ser a anistia ao ex-presidente, tornando-o inclusive elegível.
Em sequência pesquisas divulgadas trouxeram notícias boas ao clã, com destacada pontuação a Flavio, demonstrando a força do sobrenome Bolsonaro junto a seu campo ideológico.
Mas as pesquisas sérias também mostram algo significativo e talvez decisivo. Alta rejeição de Flavio. Em uma disputa entre ele e Lula, será uma disputa entre rejeições.
Em uma análise mais detida e não simplória de números quantitativos, o nome de Flavio não é o nome mais competitivo do campo da direita.
Ele transita forte na sua bolha ideológica, mas o principal para a vitória é a conquista de cerca de 10% dos eleitores que não se definem nem de esquerda e nem de direita, que votaram em 2018 em Bolsonaro contra a corrupção petista do caso do petrolão. E em 2022 votaram em Lula não por ele ser o melhor nome, mas um voto em contra ao estilo Jair Bolsonaro de governar e sua constante verborragia.
E para 2026 as pesquisas demonstram que este segmento da população prefere um candidato de oposição sem o sobrenome Bolsonaro. Isso pode mudar? Claro, as pesquisas são o retrato do momento, a política é muito dinâmica e a vitória ou derrota em uma eleição depende de muitas variáveis. Mas é um forte indicativo a ser levado em conta.
Mas assim como foi estrategicamente positivo Bolsonaro lançar o filho no final do ano passado, também seria deveras positivo recuar com o nome do mesmo em prol de um nome com menor rejeição, mais potencial de agregar setores fora da bolha e maior probabilidade de vitória. O nome é o governador de SP Tarcísio de Freitas. Mas aí que entra o ponto nuclear em análise por Jair Bolsonaro. O que importa é vencer?
Por suposto que o melhor dos mundos para a família Bolsonaro é vencer, mas nada mal se perder. O raciocínio é simples. Perdem a eleição, mas mantêm o protagonismo e o comando do campo oposicionista, o que teoricamente pode favorecer eleições futuras.
Nesse diapasão, duas hipóteses permeiam a decisão de Jair Bolsonaro. Vai com Flávio até o fim, mesmo sabendo da boa possibilidade de derrota, mas mantendo a liderança do campo da direita e não correndo o risco de Tarcísio sair candidato e assumir o protagonismo da oposição? E com o possível risco de algum outro candidato do mesmo campo surpreender, como Ratinho Jr e também de Flavio ficar sem mandato e sem imunidade parlamentar a partir de 2027.
Ou ter uma conversa decisiva e objetiva com Tarcísio para lançá-lo candidato a presidente, definindo acordos e ajustes que envolvam defesa do legado Bolsonaro, anistia ao ex-presidente e apoio ao nome de Flavio Bolsonaro à presidência do senado, caso defina pela reeleição Esses dois dilemas na mesa do ex-presidente.
No momento só é favorável à candidatura de Flavio o próprio Bolsonaro, seus irmãos, a direita Bolsonarista e Lula com o PT, estes por entenderem ser o melhor cenário para garantir a reeleição do petista. O que está correto, conforme pesquisas sérias. Para setores representativos da Faria Lima, partidos do Centrão, eleitores da centro/direita e boa parte dos evangélicos, ideal uma chapa com Tarcísio candidato a presidente e Michelle Bolsonaro de vice. A conferir o que está por vir!