Em destaque uma região absurdamente desigual e injusta em que parte de uma elite política e econômica ignora em absoluto questões mínimas da dignidade humana. Assim chegamos ao fim de um ano difícil, com sociedades polarizadas, radicalizadas, intolerantes e governos desconectados com os anseios da população.
Importante a leitura atenta do relatório divulgado em conjunto pela Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP). Intitulado “Para uma segurança alimentar e nutricional sustentável na América Latina e no Caribe em resposta à crise alimentar mundial”, analisa o contexto internacional, dispondo de fatos relevantes que afetaram a economia mundial nos últimos 15 anos, a
saber: a crise financeira de 2008, as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China e, desde 2020, a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia.
Consequências são explícitas e “resultaram em rupturas em diversas cadeias
produtivas primárias e manufatureiras, seja pelo aumento das barreiras comerciais ou por disrupções no sistema de produção e transporte global de bens, afetando o acesso da América Latina e do Caribe aos alimentos e a insumos importantes para a agricultura regional”.
E por suposto compromete a segurança alimentar dos habitantes da região, especialmente da população mais vulnerável. Dispõe ainda o relatório que “a extensão da crise atual, em que convergem diversas ameaças de caráter produtivo, comercial, climático e geopolítico, não só ameaça a segurança alimentar, mas também pode levar a região e o mundo a grandes retrocessos em matéria de pobreza, desigualdade, ação climática e desenvolvimento
sustentável”.
Mais adiante reza que “é preciso reforçar o papel ativo que os sistemas de proteção social, inclusive os programas nacionais de alimentação escolar, desempenharam durante a fase mais crítica da pandemia para evitar que os segmentos mais vulneráveis da população, como crianças e idosos, sejam irreversivelmente afetados pelo aumento dos preços dos alimentos”.
As medidas imediatas encontram guarida com a disposição de recursos orçamentários para os mais vulneráveis, o conhecido programa Bolsa Família. Mas esta política pública não é sustentável a médio e longo prazo, além de não possibilitar o protagonismo das pessoas em suas vidas.
Não há outro caminho sustentável senão a economia crescer com geração de
empregos. E quem gera empregos é a iniciativa privada. Cabe ao Estado criar
condições com segurança jurídica, combate obstinado contra a corrupção e
implementar políticas públicas e normas jurídicas que reduzem a burocracia e o tamanho da máquina estatal.
Caso contrário, a dependência das pessoas pelo Estado aumentará ainda mais, e o Brasil e o continente continuarão com o vergonhoso título de uma das regiões mais desiguais do planeta.