Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

Fortalezas e fragilidades de nomes citados como candidatos ao governo de Minas

Publicado em 19/12/2025 às 06:00.

Com o xadrez eleitoral ao governo de Minas ainda bem indefinido e congestionado, as pesquisas quantitativas recém divulgadas são pequenos e elementares indicativos de um cenário totalmente aberto. E por suposto já aberta a temporada de divulgação por pré-candidatos e respectivos apoiadores de pesquisas totalmente fajutas e desprovidas de qualquer consistência metodológica. Enfim, acreditam que isso proporciona algum ganho político e eleitoral. Há controvérsias! 

Fato é que as pesquisas que mais contam não são divulgadas. São contratadas por cúpulas partidárias e empresários para consumo interno com lupa, em que as qualitativas buscam sentir o humor conjuntural da população e perspectivas de nomes e perfis colocados.

Um ponto indispensável no momento é uma análise detalhada de cada um dos principais nomes citados como pré-candidatos, quanto a suas fortalezas e fragilidades. A seguir um resumo para reflexões dos leitores:

- Cleitinho. Fortalezas: o mais conhecido, o mais popular, o mais midiático e no momento líder nas pesquisas. Filiado a um partido robusto, Republicanos, conta com apoio da cúpula partidária (recursos financeiros e respaldo político). Não obstante se identificar como de direita, consegue romper a bolha e tem potencial de votos de eleitores do campo do centro para a esquerda. Está no meio do mandato de senador, então se realmente se candidatar e perder, continua como senador até 2030. Fragilidades: Pesquisas demonstram ser até o momento uma incógnita do que pensa em aspectos programáticos em relação à complexidade da gestão do segundo Estado da federação. Tem perfil mais legislativo do que executivo, de fiscalização (o que faz com bastante êxito). Pesquisas indicam dúvidas dos eleitores de sua capacidade de gestão. Não há unidade no campo da direita pelo seu nome.

- Mateus Simões. Fortalezas: tem a forte máquina pública estadual a sua disposição, o que favorece dentre outros pontos, apoios de partidos, deputados e lideranças. Profundo conhecedor da gestão governamental do Estado. Filiado ao forte PSD, com vultosos recursos, numerosas bancadas de deputados e capilaridade no Estado com seus prefeitos. Fragilidades: baixa pontuação atual nas pesquisas mesmo com sua forte exposição no governo, indicando barreiras difíceis de transpor. Sua atuação atabalhoada em tirar do jogo possíveis concorrentes (Cleitinho e Jarbas Soares) vem deixando rastros negativos e transformando possíveis aliados em adversários convictos. Nos bastidores a fala que se destaca é sua inabilidade e distante do estilo do mineiro de fazer política – citam o bordão “Mais Tancredo e menos Mateus”. Não é identificado como o nome que unifica o campo da direita. Caso Cleitinho mantenha a candidatura, terá ainda mais dificuldades.

- Gabriel Azevedo. Fortalezas: se destaca como comunicador em redes sociais e primorosa capacidade de formulação programática, com uma candidatura leve. Filiado ao MDB, partido de expressão, com boa capilaridade no Estado e conta até o momento com o apoio da cúpula nacional do partido. Não tem a obrigação de ganhar, então tem bom potencial para fortalecer seu nome para a eleição da PBH em 2028. Fragilidades: deixou rastros negativos em relações políticas quando ocupou a Presidência da Câmara Municipal de BH, sendo considerado por muitos como desagregador e pelas dificuldades de lidar com o poder. Ainda uma candidatura solo, com quase total falta de entusiasmo e engajamento de setores expressivos do partido, o que compromete a formatação de uma coligação robusta.

- Jarbas Soares. Fortalezas: dentre todos, tem o perfil mais aderente ao disposto nas pesquisas qualitativas, em que o eleitor almeja um nome fora dos extremos e da polarização, que incorpore o Centro Democrático, com credibilidade, capacidade programática, de gestão e de diálogo. Forte potencial de conquistar eleitores do centro para a centro/esquerda e do centro para a centro/direita. Fragilidades: o mais desconhecido pela população, e como integra os quadros do MP como Procurador, está engessado pela lei em viabilizar seu nome.  Pelo motivo citado acima, indefinição partidária, o que pode comprometer o timing político para uma provável candidatura, pois os principais partidos avançam em definições.

Acompanhemos os próximos passos dos atores acima e consequentes desdobramentos, no sentido de potencializar suas fortalezas e mitigar ou anular suas fragilidades.

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