Com um cenário ainda indefinido e totalmente aberto, nos próximos dias mais uma definição pode se dar no xadrez eleitoral na disputa ao governo de Minas. Além de Mateus Simões (PSD), Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB), pode ser confirmado o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, pelo PSB.
Com todos os indicativos de que o senador Rodrigo Pacheco declinará da disputa, as direções estadual e nacional do PSB mantêm como um dos focos no país candidatura própria no segundo colégio eleitoral da federação, e segundo os mesmos, com um nome competitivo.
Na sequência, uma breve entrevista com Jarbas Soares:
Caso o senador Rodrigo Pacheco confirme que não disputará o governo e o PSB defina pelo seu nome, aceita o desafio?
Penso que o nosso partido tem que ter candidato ao governo. É um partido limpo, com programas e quadros. Representa o campo democrático. Gostaria de estar ao lado do senador Rodrigo Pacheco neste projeto. Acho ele um quadro excepcional do Estado. Certamente, caso o partido tenha candidato, eu estarei na campanha com os nossos parceiros.
A relação distante do governo Zema com o governo Lula prejudicou Minas?
Penso que o governador Romeu Zema e o atual governador Mateus Simões, neste ponto, erraram muito. Nós temos que tratar o Governo federal como parceiros. Temos que ir lá buscar o que é do interesse do Estado, independente do partido ou da ideologia política. Como isso não foi feito, Minas perdeu muito. Nós temos que criar uma base forte em Brasília para atrair recursos, o que Minas infelizmente perdeu nesses anos de disputas ideológicas, ao contrário de outros estados.
Então, Minas ficou para trás. Eu acho que em determinado momento também o governador voltou seus olhos para a eleição presidencial para falar para um determinado público e não queria estar nas fotografias e nem no palanque com o presidente da República. E Minas ficou isolada.
Particularmente, eu acho que nós temos que praticar a boa política, sermos pragmáticos, governar e depois pensar na eleição. Nós temos que ser mais inteligentes em matéria de política. Os mineiros que ganham com essa postura e conduta.
Como recuperar o protagonismo de Minas no cenário nacional?
Precisamos de um governo ousado, que tenha projetos e apresente resultados. E que volte os seus olhos e ações para as seguintes áreas: o desenvolvimento social, o desenvolvimento econômico, infraestrutura, segurança, fiscal, planejamento e gestão. E uma liderança que inspire a população a um estado de ânimo que empolgue, no estilo JK.
Como aprimorar a relação do governo do Estado com os 853 municípios mineiros?
É preciso muito melhorar porque, na verdade, já dizia o velho Ulysses Guimarães que ninguém mora no Estado e ninguém mora na União. As pessoas moram no município. Como exemplo, os recursos pactuados da tragédia de Brumadinho, que eu atuei de forma direta como procurador-geral.
Foram os melhores recursos aplicados do acordo até hoje. Praticamente 100% já chegou para a população. Os municípios movimentaram essa economia. Cada município resolveu um problema. Um fez uma escola que faltava, um fez um hospital, um fez o viaduto, outro asfaltou um bairro, outro fez saneamento básico.
E o que acontece na realidade? O Estado cria programas estaduais para realidades distintas. Às vezes, o prefeito vem aqui buscar uma ambulância mesmo que o município não esteja precisando, mas o faz por ser algo destinado a todos os municípios. Precisamos mudar isso!