Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

Jogo aberto ao governo de MG: PT dorme à espera de Pacheco e direita bate cabeça

Publicado em 27/02/2026 às 06:10.

Como já dito em outros artigos, eleição não se ganha e não se perde da noite para o dia. É um somatório de fatos, de ações, omissões, erros e acertos. Ações assertivas potencializam vitórias e omissões e erros encaminham para derrotas.

Com o caminhar da nossa jovem democracia as eleições exigem cada vez mais planejamento e estratégia dos partidos, candidatos e equipes, em que as pesquisas são indubitavelmente fundamentais para análises e direcionamentos. O brutal desenvolvimento tecnológico e as ferramentas de IA (inteligência artificial) estão na ordem do dia das ações eleitorais.

Com o fim do carnaval, as articulações e decisões ganham maior velocidade e para as próximas semanas o tabuleiro tende a ficar mais claro, tanto para as eleições presidenciais como para o governo de Minas.

Em se tratando de eleições, há o prazo legal e o prazo político para definições. Leis dispõem datas para filiação partidária, desincompatibilização, convenções, início da propaganda eleitoral, etc. Já o prazo político por suposto está vinculado ao legal, não pode contrariá-lo, mas há um timing para ser tomado.

O cenário para o governo de Minas está rocambolesco e ninguém com o mínimo de capacidade de análise e percepção política pode cravar nada, devido a indefinições e erros até então cometidos tanto pela esquerda como pela direita.

A esquerda, em destaque o PT, está adormecida em berço esplêndido há mais de um ano à espera do “sim” do senador Rodrigo Pacheco. O processo não foi conduzido de forma estratégica e faltou ao presidente Lula um alinhamento mais direto e objetivo com Pacheco e a construção de alternativa competitiva caso este decline em definitivo do desafio da disputa. Incrível isso ocorrer no segundo colégio eleitoral do país.

Já em relação ao campo da direita, que poderia estar voando em céu de brigadeiro devido ao fato descrito acima, o problema é outro e se chama falta de unidade. O vice-governador Mateus Simões, que assume o governo no final de março e será candidato à reeleição, vem apresentando enorme dificuldade nas pesquisas eleitorais, não empolga e sofre forte desconfiança de parlamentares do campo da direita e entidades do setor produtivo e do poder econômico mineiro. Seu estilo de agir vem afastando possíveis aliados, como o recente caso envolvendo a Deputada Lud Falcão e seu marido Luís Eduardo Falcão, presidente da AMM.

Sua atuação de forma ostensiva para tirar do jogo o senador Cleitinho, também do campo da direita e líder absoluto das pesquisas, até o momento não só não tem dado resultado como tem servido de combustível para Cleitinho seguir firme na disputa. Está evidente um racha no PL de Minas, com Nikolas na linha de frente no alinhamento com Mateus Simões e parte da bancada, em destaque os representantes da segurança pública, em favor de Cleitinho.

Com certeza a definição dos rumos do PL no Estado será alinhada com a direção nacional do partido e com Bolsonaro, pois o foco principal é uma definição que seja a melhor estratégia para a campanha de Flávio Bolsonaro. Um ingrediente a mais é a divulgação pela Folha de SP de rascunhos da recente reunião da cúpula nacional do PL com Flávio Bolsonaro, que ao analisar o caso de Minas, ao lado do nome de Mateus Simões tem o escrito “me puxa pra baixo”.

Cristalino está que a estratégia de Flávio Bolsonaro em Minas passa longe do palanque de Mateus Simões. No momento, a estratégia passa pelo palanque do pré-candidato Cleitinho. Intrigante ainda esse tal rascunho ter sido esquecido após a reunião. Está mais para esse “esquecimento” ter sido proposital direcionado ao jornalista da Folha como um recado a quem de direito e um termômetro para sentir o efeito das informações constantes junto ao meio político.

Por fim, muito mais que em âmbito nacional, cenário aberto e perspectivas reais de vitória de algum nome fora dos extremos e da polarização. Portanto, dentre os pré-candidatos já lançados Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB), e Jarbas Soares (União Brasil ou Cidadania), em vias de definição, aquele que souber conquistar a mente e os corações dos mineiros tem grande chances de assumir a gestão do Estado em 2027.

Emoções e definições por vir!

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por