Em um sistema federativo com grande concentração na União, uma virtude indispensável para o governador de um Estado é ter capacidade de diálogo, articulação e que sobreponha em absoluto o interesse da população do Estado que governa a interesses políticos pessoais e ideológicos.
Quando o inverso citado acima prevalece, o respectivo Estado fica isolado e deixa de receber recursos de diversas áreas, enquanto outros têm resultados expressivos em obras, programas, ações.
E como vivemos em um sistema democrático, pode acontecer que um governador seja de partido e concepção democrática distinta do presidente. A ele restam duas opções: ficar o governo todo brigando, criticando, desmerecendo, distanciando e se isolando, ou não obstante reconhecer as diferenças partidárias, atuar em prol de parcerias e buscar de forma obstinada recursos para seu Estado.
Dois exemplos recentes ajudam a entender melhor esse fato. O Propag só saiu pela capacidade do senador Rodrigo Pacheco e do presidente da ALMG, deputado Tadeu Leite de dialogar com o Governo federal para sua conclusão. O Governo do Estado, em uma postura constante de beligerância, não se mostrou capaz de assumir o protagonismo para um encaminhamento exitoso pela incapacidade de diálogo com o Governo federal.
Outro exemplo foi o Acordo de Brumadinho. Neste caso, o Ministério Público, pela ação do então procurador-geral de Justiça da época, Jarbas Soares, teve papel fundamental em sua resolução, ao assumir a condução do processo pela total dificuldade de diálogo entre o Governo do Estado e o Governo federal.
Dentre várias áreas, o próximo governador precisa alinhar com o Governo federal recursos e ações na área de infraestrutura, especialmente quanto a nossas rodovias. Estamos falando de evitar mortes, graves acidentes e proporcionar desenvolvimento econômico para Minas Gerais.
E algo da maior gravidade, apenas 22% das rodovias do Estado têm altos níveis de segurança. O reflexo econômico desse cenário é direto: acrescenta um custo de 35% ao transporte em Minas.
Em 2025, a CNT contabilizou cerca de 70 mil acidentes em rodovias federais. Somando custos com saúde, judiciais e de Previdência, entre outros, o número demandou R$ 16 bilhões das contas públicas.
O próximo governador terá complexos desafios. Indubitavelmente fracassará se quiser resolver as principais questões da gestão relacionadas à política fiscal e de infraestrutura dentro dos limites do Estado. Mister será ter capacidade e vontade política para unir as bancadas do Congresso, da ALMG e lideranças de entidades da sociedade civil para atuar de forma firme em Brasília.
Minas perdeu muito nos últimos anos. É hora de reagir e levantar a voz!