Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

O grave erro de Lula em Minas e seu impacto nas eleições de 2026

Publicado em 26/12/2025 às 06:00.

O resultado de uma eleição não se dá da noite para o dia. Tanto vitórias como derrotas são frutos de um somatório de erros e acertos ao longo tanto do período pré-eleitoral quanto do eleitoral propriamente determinado pela lei.

Tem-se a máxima que como em uma guerra, vitorioso em uma eleição é o que erra menos. E por suposto não há espaço para improvisos em uma campanha eleitoral. E muito menos falta de planejamento. Achismos e deixar que algo importante se resolva por si só pode ser fatal.

Nesse diapasão, para Lula e a cúpula petista nacional o cenário atual em Minas é deveras preocupante, ou pelo menos deveria ser. Não só pela condição de segundo colégio eleitoral do país, mas pelas características do estado ser a síntese do Brasil, não só pelas características sociais e econômicas, mas pelos recentes resultados eleitorais em que o candidato a presidente que vence em Minas ganha também em âmbito nacional. 

Parece que Lula não entendeu que este momento é completamente diferente daqueles de eleições anteriores. Momentos distintos os que ocasionaram nos chamados Lulecio e Dilmasia, em que Lula não achava de todo ruim o PT ter candidatos frágeis ao governo em Minas. 

Vide resultados eleitorais anteriores para o governo do estado e para presidente em MG. Em 2002 Aécio Neves (PSDB) venceu no primeiro turno com 57,68% e Nilmário Miranda do PT teve 30, 72%. No segundo turno presidencial em Minas, Lula (PT) teve 66,44% e José Serra (PSDB) 33,55%.

Em 2006 Aécio Neves (PSDB) 77,03% e Nilmário Miranda (PT) 22,03%. Para presidente no segundo turno Lula (PT) 65,19% em Minas Gerais e Geraldo Alckmin (PSDB) 34,81%.

Em 2010 Antônio Anastasia (PSDB) teve 62,72% e Hélio Costa (PMDB) com o PT na vice com Patrus Ananias 34,18%. Para presidente no segundo turno Dilma Rousseff (PT) 58,45% em Minas Gerais e José Serra (PSDB) 41,55%. 

A exceção foi em 2014, quando saiu vencedor Fernando Pimentel (PT) com 52,98% e Pimenta da Veiga (PSDB) 41,89%. No segundo turno presidencial Dilma Rousseff (PT) teve 52,41% em Minas Gerais e Aécio Neves 47,59%. Um parêntesis para a constatação que talvez o maior erro político da trajetória de Aécio foi a escolha de Pimenta da Veiga como candidato ao governo. Ao preterir o nome natural que seria Alberto Pinto Coelho por uma escolha pessoal de um nome distante da realidade do estado e sem respaldo do seu grupo político, além de perder o governo de Minas teve forte influência para sua derrota presidencial para Dilma.

Vivemos um momento extremamente distinto. Um ambiente político cada vez mais polarizado, com um campo da direita deveras organizado e fortemente mobilizado nas redes sociais. O jogo político não se dá mais entre PT X PSDB!

Se o plano A de Lula para o governo de Minas era realmente o Senador Rodrigo Pacheco, que tivesse uma conversa clara e direta com ele no início deste ano, para alinhamentos de expectativas de ambos, e caso ajustassem projetos, avançar em ações convergentes, como definições de investimentos no estado, “segurar” partidos (PSD, MDB) no seu entorno, inaugurações de obras em conjunto, ou seja, ações concretas para potencializar a liderança do Pacheco. 

E concretamente nada foi feito, apenas discursos e falas aleatórias sem uma conversa olho no olho e um aperto de mão definitivo. Erro estratégico de Lula? Autoconfiança em seu potencial eleitoral? Certeza que no final tudo daria certo, que Pacheco não resistiria aos seus encantos e apelos? Ou que Lula não é mais aquele animal político voraz, sagaz sedutor e articulador? E que dá sinais de cansaço dos bastidores e conversas políticas nos seus 80 anos?

Em resposta a entrevista no dia 11 deste mês para o portal Uai sobre convencer Pacheco a se candidatar ao governo, respondeu: "Eu não tenho pressa, sabe? Eu não tenho pressa, quem tem pressa come cru. Ou seja, eu vou esperar o tempo passar”.

E praticamente já chegamos em 2026 sem um nome competitivo do campo da esquerda no estado. Impactos poderão vir com resultado presidencial desfavorável em Minas com reflexos decisivos em âmbito nacional.

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