Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

O marketing eleitoral e as eleições de 26

Publicado em 05/06/2026 às 06:00.

Eleição não se improvisa. Vitória ou derrota estão diretamente ligados à leitura correta de cenário, planejamento cirúrgico e um marketing moderno. Zuza Nacif, um dos mais conceituados marqueteiros do país, com diversas campanhas majoritárias e proporcionais em Minas e em outros estados, incluindo disputas nacionais, dispõe de alguns relevantes pontos acerca das eleições deste ano.

1. Teremos nas eleições presidenciais deste ano mais uma vez o “quem ganha em Minas ganha no Brasil”?

Minas Gerais continua sendo o Estado que mais se aproxima de um retrato do Brasil. É um dos maiores colégios eleitorais do país, faz divisa com diversos estados e reúne características econômicas, sociais e culturais muito diferentes dentro do próprio território. Você encontra um pouco de cada Brasil dentro de Minas.

Por isso, historicamente, o Estado costuma antecipar tendências nacionais. Não é uma regra matemática, mas existe uma lógica por trás dessa percepção. O eleitor mineiro geralmente é mais moderado, menos ideológico e costuma decidir seu voto olhando muito para questões práticas da vida cotidiana. 

Quem consegue dialogar com essa diversidade normalmente aumenta bastante suas chances de sucesso de também falar com o restante do Brasil. 

2. Como você enxerga o cenário da eleição para o governo do Estado? Há espaço para um candidato considerado “outsider”?

Eu acredito que existe espaço para renovação, mas não necessariamente para alguém completamente desconectado da política, mas com experiência em gestão. Minas é um Estado muito complexo. Administrar Minas exige conhecimento da máquina pública, capacidade de articulação e construção de alianças.

O que eu percebo é um certo desgaste dos modelos tradicionais e também da polarização excessiva. Existe uma demanda por lideranças que consigam unir diferentes setores e apresentar um projeto de Estado. 

Nos últimos anos vimos muitas lideranças individuais ganhando projeção, mas a política continua sendo uma atividade coletiva. Quem conseguir montar um bom grupo com experiência e comprometido com as demandas do mineiro terá maiores chances de vencer, mesmo que seja desconhecido. 

3. Em tempos de IA, que importância terão as redes sociais nas eleições deste ano?

As redes sociais continuam sendo centrais para qualquer campanha, mas é importante separar redes sociais de Inteligência Artificial. Muita gente trata os dois temas como se fossem a mesma coisa, mas não são.

A grande contribuição da IA está no planejamento. Ela ajuda a analisar pesquisas, identificar tendências, organizar informações, construir estratégias de hipersegmentação e, claro, de produção de conteúdo. Já nas redes sociais, o que continua fazendo diferença é a capacidade de gerar conexão, relevância e confiança.

A IA pode acelerar a produção de conteúdo e aumentar a produtividade das equipes, mas ela não substitui autenticidade. Aliás, esse pode ser um dos grandes desafios das próximas eleições. Quanto mais conteúdo automatizado existir, mais valor terão os candidatos e campanhas que conseguirem transmitir proximidade, verdade e identidade própria. No fim das contas, a tecnologia muda, mas as pessoas continuam votando em quem conseguem compreender, confiar e se identificar.

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