Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

Por definir peças-chave do xadrez eleitoral em Minas e no Brasil

Publicado em 09/01/2026 às 06:00.

Às vésperas da segunda quinzena de janeiro, bastidores serão intensificados no meio político para definições finais dos tabuleiros das eleições presidencial e para o governo de Minas.

Por suposto as conversas e deliberações se darão atentas a relevantes fatos nacionais e internacionais, com seus reflexos, consequências, disputas de narrativas e impactos em popularidades, medidas por pesquisas internas detalhadas e regionalizadas. 

Sem esgotar e sem fazer juízo de valor, apenas alguns fatos para exemplificar: CPI do INSS (se há envolvimento do filho e do irmão do presidente Lula), STF (Código de Ética; contrato milionário de esposa de ministro com o Banco Master sem objeto específico e sem explicação dos mesmos; o desfecho do caso da liquidação do mesmo banco; decisões por vir sobre Bolsonaro, se prisão domiciliar ou não), Trump e Venezuela (soberania nacional, direito internacional, direitos humanos, geopolítica mundial).

São muitas variáveis, atores, cenários e coligações a serem ajustadas. A seguir algumas definições mais estratégicas e relevantes, tanto em âmbito presidencial como para o governo de Minas.

Quanto à eleição presidencial, a mais relevante é se Flávio Bolsonaro realmente seguirá até o fim com a candidatura. Se sim, como se portarão demais setores do campo da direita, como os governadores Caiado, Ratinho Jr e Zema, e o caminho de partidos como PSD, União Brasil- PP e Republicanos. Se ele recuar, até os avestruzes do Palácio do Planalto sabem que o campo estará unido em torno da candidatura do atual governador de SP, Tarcísio de Freitas. 

Ainda da eleição presidencial, outro ponto da maior relevância principalmente para os mineiros é a possibilidade de políticos do Estado comporem chapas presidenciais como candidatos a vice. No campo da direita, Zema é citado como um dos nomes a vice tanto de Flávio Bolsonaro (PL), como de Ratinho Jr (PSD) ou de Tarcísio (Republicanos), conforme cenário disposto acima. 

E pelo campo da esquerda, caso o atual vice-presidente Geraldo Alckmin defina pela candidatura ao Senado por SP, abre a vaga. Assim sendo, é ventilado o nome do Senador Rodrigo Pacheco, preterido por Lula a vaga no STF, como seu candidato a vice. Repetirá a estratégia vitoriosa de 2022 com Alckmin, um vice fora da bolha da esquerda, com perfil de centro e também em 2002 e 2006 com José Alencar, agregando o fato de ser do segundo colégio eleitoral do país.

Quão interessante será uma disputa eleitoral com dois políticos de Minas candidatos à vice-presidência em pólos extremos! Lembremos: quem ganha em Minas, ganha no Brasil!

E, por fim, diretamente ligado às definições do tabuleiro presidencial, três peças fundamentais por definir candidatura ao governo de Minas. São elas: o Senador Cleitinho, o presidente da ALMG Deputado Tadeu Leite e o ex-Procurador Geral de Justiça Jarbas Soares. Não obstante líder nas pesquisas e com alta popularidade nas redes socais, Cleitinho não demonstra muito apetite para deixar a função fiscalizadora do parlamento para assumir a responsabilidade de conduzir as complexas finanças do Estado e os recursos limitados para políticas públicas. Tem dado declarações que vai definir em março. Caso recue, tem grande potencial de impulsionar o nome que estiver aliado. Nos bastidores tem excluído Mateus Simões de qualquer possibilidade de apoiar.

Tadeu Leite vem sendo assediado pelo campo da esquerda para ser o candidato ao governo e palanque do Lula em Minas. Com perfil de diálogo e agregador, tem ainda no radar candidatura a reeleição como deputado estadual e também se auto indicar para uma vaga no TCE MG, o que seria lamentável pelo belo futuro político que teria pela frente! 

E ainda como peça relevante no xadrez eleitoral mineiro a definição de Jarbas Soares. Recuado e ausente das articulações políticas por ainda estar na ativa do MPMG, poderá ser instado por fortes setores partidários de Brasília e representativos setores políticos, econômicos e da sociedade civil de Minas a disputar o governo.

Conversas e articulações resolutivas por vir. Acompanhemos! 

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