Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

Principais estratégias de guerra para aplicar nas eleições

Publicado em 06/03/2026 às 06:00.

Com certeza as eleições deste ano serão de extrema importância e com destaque para os cargos majoritários, deveras disputados. Serão verdadeiras guerras.

Como já dito em outras colunas, eleição não se ganha ou não se perde da noite para o dia, há um somatório de fatos que deságuam no resultado eleitoral. E mais que nunca, eleição não se improvisa. Premissas básicas são estratégia e planejamento. E diretrizes aplicáveis nas guerras podem e devem ser adaptadas para a disputa eleitoral.

Assim sendo, indispensável para os candidatos, coordenações e núcleo político atentar para os ensinamentos do general Sun Tizu, estrategista de guerra e filósofo chinês. 

Em seu clássico “A Arte da Guerra” (escrito aproximadamente no século V A.C.), o autor apresenta um tratado filosófico-militar no qual reuniu estratégias e táticas militares para vencer o inimigo. E como eleição é uma guerra no que concerne a lograr a vitória (sobre adversários, e não inimigos), sua adequação à realidade das eleições é deveras pertinente e razoável.

Seguem alguns tópicos do livro para análises e reflexões acerca da similaridade entre guerra e eleições (majoritárias e proporcionais).

PREPARAÇÃO DOS PLANOS: “O general que vence uma batalha fez muitos cálculos no seu templo antes de ser travado o combate. O general que perde uma batalha fez poucos cálculos antes. Portanto, fazer muitos cálculos conduz à vitória e poucos, à derrota”.

GUERRA EFETIVA: “O valor do tempo - isto é, estar ligeiramente adiante de seu adversário- vale mais que a superioridade numérica ou os cálculos mais perfeitos com relação ao abastecimento”.

A ESPADA EMBAINHADA: “Portanto, a mais perfeita forma de comandar é impedir os planos do inimigo; depois impedir a junção de suas forças; a seguir atacar o exército inimigo no próprio campo. Se conhecemos o inimigo e a nós mesmos não precisamos temer o resultado de uma centena de combates. Se nos conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofreremos uma derrota. Se não nos conhecemos nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas”.

TÁTICAS: “A garantia de não sermos derrotados está em nossas mãos, porém a oportunidade de derrotar o inimigo é fornecida pelo próprio inimigo. O verdadeiro mérito é planejar secretamente, frustrar as intenções do inimigo e impedir seus planos. Por isso, o guerreiro hábil coloca-se numa posição que torna a derrota impossível e não perde a ocasião de aniquilar o inimigo”.

PONTOS FRACOS E FORTES: “Assim sendo, os lugares a serem atacados são exatamente os que o inimigo não pode defender. O que o vulgo não pode compreender é como a vitória pode ser obtida por ele a partir das próprias táticas do inimigo. O local onde pretendemos lutar não deve ser revelado, pois assim o inimigo terá de se preparar contra um possível ataque em vários pontos diferentes”.

VARIAÇÃO DE TÁTICAS: “Não se demore em posições perigosamente isoladas. Em situação de cerco, deve-se recorrer a estratagemas. Numa posição desesperada, deve lutar. Há estradas que não devem ser percorridas e cidades que não devem ser sitiadas. A arte da guerra nos ensina a não confiar na probabilidade de o inimigo não vir, mas na nossa presteza em recebê-lo; não há chance de ele não atacar, mas em vez disso, no fato de que tornamos nossa posição invulnerável”.

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